Aviões elétricos não-tripulados chegam ao Brasil em 2026 para aplicação agrícola

Synerjet assinou acordo para distribuir no país equipamento produzido pela americana Pyka. Expectativa é vender 20 unidades nos primeiros 12 meses
Fernando Lopes

O tradicional Ipanema, avião de aplicação agrícola fabricado pela brasileira Embraer, ganhará novos companheiros no espaço aéreo do agronegócio nacional. Desenvolvido pela americana Pyka, o Pelican Spray será o primeiro avião 100% elétrico não-tripulado a voar pelas lavouras do Brasil.

Nascido e fabricado na Califórnia, os aviões chegarão ao Brasil pelas mãos da Synerjet. A empresa atua no mercado de aviação executiva e desde 2023 voltou a atuar no segmento agrícola, com a comercialização do próprio Ipanema. As duas anunciaram hoje a parceria para a distribuição exclusiva do Pelican no Brasil.

Com o acordo assinado, a Synerjet iniciará as vendas do avião elétrico no final de março. No entanto, a expectativa é que as primeiras entregas no Brasil comecem apenas em 2026. A produção de 2025 já está comprometida para os clientes da Pyka na América do Sul e Central.

“A gente espera vender em torno de 20 aeronaves [em 2025], mas acreditamos que o mercado brasileiro é capaz de absorver, em breve, uma centena dessas aeronaves do por ano”, disse ao NPagro Mateus Dallacqua, diretor de vendas e inovação da Synerjet.

Diferentemente do que se possa imaginar, o Pelican não será um concorrente para o tradicional Ipanema. Produzido desde 1972, o monomotor da Embraer foi a primeira aeronave produzida em série do mundo a operar com etanol.

Operando sem piloto e movido a eletricidade, o avião americano está sendo posicionado como complementar ao Ipanema, com objetivo de expandir o mercado de aviação agrícola no Brasil. “O Pelican é uma aeronave agrícola autônoma, com 11 metros de envergadura, grande capacidade de operação, o que leva a gente a inaugurar um novo segmento nesse setor”, disse Dallacqua.

Na mira da Synerjet estão os pulverizadores autopropelidos, atualmente fabricados por estrangeiras como John Deere, Case, New Holland, além de empresas brasileiras, entre elas a Jacto. Para Dallacqua, as máquinas terrestres serão as grandes concorrentes do Pelican, mas o equipamento poderá ser complementar à própria aviação agrícola tradicional, em áreas com restrições topográficas ou mesmo legais.

Origem da Pyka

A Pyka nasceu em 2017, na Califórnia. Ainda considerada uma startup, a empresa levantou no mercado US$ 80 milhões, de onde retirou a maior parte dos recursos para desenvolver o Pelican. A empresa já entregou 10 unidades de sua aeronave elétrica não-tripulada e o número de série 20 já está em fabricação.

Segundo Michael Norcia, CEO da Pyka, o Pelican foi projetado para aplicação agrícola. O avião possui um tanque de pulverização de 300 litros, autonomia de voo de 35 minutos, com 10 minutos adicionais de reserva, capacidade para cobrir 90 hectares por hora, sendo que cada bateria é capaz de realizar dois voos.

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