As fortes chuvas que caíram em praticamente todo o Rio Grande do Sul nas últimas semanas provocaram atraso no plantio da safra de trigo. O Estado deverá liderar a produção brasileira do cereal este ano, à frente do Paraná. Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar, até quinta-feira passada os trabalhos haviam sido concluídos em 39% da área de cultivo, com avanço semanal de apenas 2%.
De acordo com o órgão, as lavouras semeadas mais recentemente sofreram com erosão, encharcamento e compactação superficial. Nas lavouras em fase de desenvolvimento vegetativo, o excesso de umidade e a baixa luminosidade geraram estresse fisiológico, o que limita o crescimento das plantas. A aplicação de defensivos agrícolas também foi prejudicada pelas precipitações.
Como as previsões meteorológicas indicam que as chuvas vão diminuir esta semana, os técnicos da Emater/RS-Ascar acreditam que o plantio ganhará ritmo, até porque os produtores terão que respeitar as regras do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). O órgão projeta que a área chegará a 1,198 milhão de hectares, e que a produtividade médias das plantações alcançará 2.997 quilos por hectare.
Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deverá ocupar, no total, 2,672 milhões de hectares em 2025, 12,6% menos que no ano passado. A estatal prevê um rendimento médio de 3.066 quilos por hectare, 18,9% maior na mesma comparação, e colheita de 8,192 milhões de toneladas, com incremento de 3,8%. Com o aumento da produção, a Conab sinaliza que as importações vão cair para 5,8 milhões de toneladas, ante 6,4 milhões em 2024. O Brasil é um dos maiores importadores de trigo do mundo.
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