AGE da BRF que tratará de fusão com a Marfrig é novamente suspensa pela CVM

Assembleia Geral Extraordinária, que já havia sido adiada uma vez, estava marcada para 14 de julho
Fernando Lopes

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) voltou a pedir o adiamento da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da BRF que vai deliberar sobre a incorporação das ações da companhia pela Marfrig. Inicialmente marcada para o dia 16 de junho, a AGE foi suspensa pela CVM em razão de questionamentos de acionistas minoritários. A dona das marcas Sadia e Perdigão apresentou novas informações sobre o processo e reagendou a AGE para 14 de julho, mas os questionamentos foram renovados e o processo, mais uma vez, foi prorrogado.

A Marfrig já controla a BRF, e a incorporação de ações proposta dará origem à MBRF, uma gigante de proteínas animais e alimentos processados com faturamento anual superior a R$ 150 bilhões por ano. Ocorre que uma ala de minoritários da BRF não concorda com a relação de troca de ações proposta – 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, acompanhada de pagamentos de dividendos extraordinários. No mercado, circulam cálculos que defendem uma relação de entre 1,4 e mais de 2 ações da Marfrig para cada ação da BRF. 

Tanto em junho quanto agora, os pedidos de adiamento das AGEs da BRF foram protocolados pela Nova Almeida Fundo de Investimento Multimercado, que tem a Latache Capital como gestora, sob a alegação de insuficiência de informações sobre o processo de fusão apresentadas pela empresa. Em sua defesa, a BRF afirma que prestou os esclarecimentos necessários, fortalecidos por três apresentações que corroboram a operação elaboradas pelo JP Morgan, assessor financeiro do comitê da Marfrig que está a cargo da fusão, e uma apresentação elaborada pelo Citi, assessor financeiro do comitê da BRF.

Vale lembrar que, paralelamente ao imbróglio envolvendo a AGE da BRF – que, por tabela, afeta o cronograma da AGE da Marfrig que tratará da fusão -, a Minerva Foods entrou com recurso no Conselho de Defesa Econômica (Cade) solicitando a reavaliação do negócio, que, num primeiro momento, foi aprovado pela Superintendência Geral do colegiado. 

A empresa da família Vilela de Queiroz está preocupada com dois pontos da operação que dará origem à MBRF: o primeiro é que, como fornecedora de carne para a produção de alimentos processados da BRF, poderá ser prejudicada pela fusão, uma vez que a Marfrig, atualmente, também é. E o segundo é que o fundo árabe Salic, que detém 31% de seu capital e é sócia da BRF, se tornará acionista, com pouco mais de 10%, de uma nova empresa que será sua concorrente em parte das atividades, com acesso a informações privilegiadas e risco de conflito de interesses.

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