As exportações de carne bovina do país se mantiveram aquecidas e voltaram a bater recorde em junho, mas os resultados registrados confirmaram o potencial dos danos que deverão ser causados se, de fato, os Estados Unidos impuserem a tarifa adicional de 50% sobre as importações de produtos do Brasil a partir de 1º de agosto.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), os embarques alcançaram 341,6 mil toneladas e renderam US$ 1,5 bilhão no mês passado, com aumentos de 41% e 55% ante junho de 2024, respectivamente. Tanto em volume como em receita, foram as melhores marcas mensais da história.
Com isso, no primeiro semestre as vendas de carne bovina do Brasil ao exterior somaram praticamente 1,7 milhão de toneladas, com alta de 17,3% em relação a igual intervalo do ano passado. A receita equivalente aumentou 28%, impulsionada também pela valorização dos cortes embarcados, e chegou a US$ 7,5 bilhões.
De janeiro a junho, a China foi o principal destino das exportações brasileiras. O país asiático comprou 631,9 mil toneladas, 11,3% mais que no primeiro semestre de 2024, e gastou US$ 3,2 bilhões com as aquisições, um incremento de 27,4%. Mas o grande destaque foram mesmo os EUA.
No primeiro semestre, o país de Donald Trump, que continua a enfrentar escassez de gado, importou do Brasil 411,7 mil toneladas de carne bovina, volume 85,4% maior que no mesmo período de 2024. Essas vendas renderam divisas de quase US$ 1,3 bilhão, o dobro do valor observado de janeiro a junho de 2024.
“A tarifa adicional de 50% anunciada no dia 9 de julho para os produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode comprometer as vendas para os EUA no segundo semestre do ano e vem preocupando os produtores brasileiros. As indústrias já sentem os efeitos da medida, com pedidos de compras sendo cancelados por parte dos clientes norte-americanos, e o setor aguarda com apreensão as negociações para uma solução do problema”, informou a Abrafrigo.
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