ME Solaris, do fundo soberano de Omã, adquire controle da Agribrasil

Com o negócio, a trading, que já é forte em trigo, fincará os pés no Brasil e crescerá em soja e milho
Fernando Lopes
Frederico Humberg, fundador da Agribrasil (foto: Divulgação)

A Agribrasil, terceira maior exportadora de grãos de capital nacional, fechou acordo para vender uma participação majoritária em seu capital para a ME Solaris Commodities Holding, trading de produtos agrícolas controlada pelo fundo soberano de Omã. A operação, que depende da aprovação das autoridades regulatórias, também dará à ME Solaris o controle do Terminal Portuário Santa Catarina (TESC), no porto de São Francisco do Sul, no qual a AgriBrasil tem uma fatia de 51%. O valor do negócio não foi revelado.

A ME Solaris já é uma das cinco maiores tradings de trigo do mundo, e com a Agribrasil ficará as bases no Brasil, país que lidera os embarques globais de soja e é também um dos maiores exportadores de milho. Os dois grãos são o foco da trading brasileira, que foi fundada pelo empresário Frederico Humberg, iniciou suas atividades em 2016 e conta com uma subsidiária integral na Suíça. A companhia adquiriu sua participação no TESC em 2021. O NPagro apurou que ainda não está definido se Humberg permanecerá como CEO da Agribrasil. 

A Agribrasil encerrou o primeiro trimestre deste ano com os melhores resultados de sua história para o período. Impulsionada pelo forte aumento dos volumes de soja e milho movimentados, a empresa registrou lucro líquido de R$ 2,9 milhões, ante prejuízo de R$ 3,1 milhões entre janeiro e março de 2024, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 31,7 milhões, 141,4% maior na comparação, e receita líquida de R$ 1,371 bilhão, em alta de 301,9%.

De janeiro a março, a movimentação de grãos da companhia aumentou 75% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A trading negociou 560,7 mil toneladas do cereal, um incremento de 233,9%, e 455,3 mil toneladas de soja, com avanço de 10%. As exportações para Ásia, Oriente Médio e norte da África responderam pela maior parte das transações, mas as vendas no mercado interno – sobretudo de milho, para a BRF – também impulsionaram os resultados.

Os resultados do TESC não são consolidados com os da Agribrasil, e no terminal os números também foram positivos no primeiro trimestre. O lucro líquido subiu 122,5% em relação a igual intervalo de 2024, para R$ 6,3 milhões, o Ebitda avançou 40,9%, para R$ 35,2 milhões, e a receita líquida registrou alta de 36,9%, para R$ 80,5 milhões. E se a trading Agribrasil registrou margem Ebitda de 2,3% de janeiro a março, no TESC, onde a movimentação cresceu para 1 milhão de toneladas de produtos, o percentual chegou a 43,7%, o que gerou uma margem combinada da ordem de 7%.

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