Tarifaço dos EUA poupa suco, mas golpeia subprodutos da laranja

CitrusBR calcula que prejuízo pode chegar a R$ 1,5 bilhão com perda de competitividade de itens como óleos essenciais
Fernando Lopes

O suco de laranja foi poupado da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos às importações de produtos brasileiros, mas subprodutos da fruta, como óleos essenciais, não escaparam. Segundo cálculos da Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR), que representa as gigantes Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company, com a nova taxa, que se soma aos 10% cobrados desde abril, os prejuízos nessa frente podem chegar a R$ 1,5 bilhão.

“Muitos produtos [das indústrias de bebidas e de cosméticos] dependem de ingredientes como células cítricas – os gominhos da laranja – e óleos essenciais responsáveis pelo aroma, e esses insumos estão sobretaxados em 50%, o que inviabiliza a operação”, afirma o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, em nota. “Isso pode ter efeito negativo na experiência do consumidor, prejudicar as empresas americanas e, por consequência, impactar toda a cadeia brasileira”, diz.

Os óleos essenciais, por exemplo são bastante demandados pela indústria de cosméticos, pois conferem as notas cítricas aos perfumes. De acordo com a CitrusBR, os EUA costumam representar cerca de 36% das exportações brasileiras de óleo essencial prensado, 39% dos embarques de óleo comum e quase 60% no caso do d-limoneno, utilizado em fragrâncias e solventes naturais.

Em meio a esse problema, a entidade também está preocupada com a queda das cotações do suco de laranja no mercado internacional, em parte por causa da tendência de aumento da oferta no Brasil nesta temporada 2025/26. “O preço médio da tonelada exportada para os EUA na safra passada foi de US$ 4.243. Em 7 de agosto, o valor caiu para US$ 3.387 – uma redução de 20,17%. Mantido o volume exportado, a perda estimada de receita com a desvalorização é de US$ 261,8 milhões, o equivalente a R$ 1,43 bilhão”, calcula a CitrusBR.

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