Após três anos de turbulências nos mercados de grãos e insumos agrícolas, com queda das vendas em 2023 e 2024, a Holambra Cooperativa, com sede em Paranapanema, no sudoeste de São Paulo, voltará a crescer em 2025. Impulsionado sobretudo pelos negócios no segmento de insumos, o grupo, que conta com pouco mais de 500 cooperados, prevê faturar cerca de R$ 2,6 bilhões, quase 15% mais a mais que em 2024.
Segundo Matheus Cotta de Carvalho, CEO da Holambra desde 2023, após passagens por grandes empresas como a Copersucar, na área de insumos a receita deverá aumentar 30%, para R$ 1,3 bilhão. A cooperativa conta com seis lojas nessa frente, a última delas inaugurada em Santa Cruz do Rio Pardo, em 2024, e as vendas estão em alta tanto em volume quanto em preços este ano.
Mesmo com as oscilações do câmbio, afirmou Carvalho, os preços dos defensivos estão, em geral, mais elevados. Em boa medida graças à queda de preços desses produtos observada depois dos picos alcançados no início da década, o faturamento da cooperativa recuou de R$ 2,9 bilhões, em 2022, para R$ 2,4 bilhões em 2023. Em 2024, já com as cotações dos grãos também em baixa, a receita voltou a diminuir, para R$ 2,3 bilhões.
Isso não significa, porém, que as rédeas dos negócios ficaram frouxas diante desse movimento. Pelo contrário. O resultado líquido também registrou baixa de 2022 para 2023 – de 55%, para R$ 32,8 milhões -, mas já em 2024 voltou a subir e atingiu R$ 48,5 milhões. Para 2025, a expectativa de Carvalho é de novo incremento, também com a colaboração dos maiores volumes de grãos movimentados.
A acomodação dos preços de soja e milho em patamares mais baixos que os observados há alguns anos restringem o potencial de crescimento nessa área, mas a boa safra 2024/25, que bateu recorde no país, permitirá à Holambra Cooperativa receber por volta de 700 mil toneladas este ano, pouco acima do total de 2024. O movimento é liderado por soja, milho e trigo, mas sorgo, cevada, feijão e algodão também fazem parte do portfólio.
“Foi uma boa safra, mas poderia ter sido ainda melhor. Recebemos um volume de soja um pouco menor que o esperado, e houve problemas com o trigo sequeiro. Para a safra 2025/26, nossa expectativa no momento é com as chuvas, mas as perspectivas são positivas”, disse Carvalho ao NPagro. Em 2024, a cooperativa recebeu quase 290 mil toneladas de soja, 138 mil de milho e 127 mil toneladas de trigo.
Uma das vantagens da Holambra nesse mercado é contar com uma rede de armazenagem que recebeu investimentos em tecnologia de R$ 350 milhões nos últimos seis anos e hojeé formada por sete unidades de recebimento, com capacidade total para quase 400 mil toneladas. Assim, é possível girar cerca de 1 milhão de toneladas de grãos por ano, o que significa que ainda há capacidade disponível para avançar.
Além de seus dois negócios principais – insumos e grãos -, o grupo também está presente nos segmentos de citros e frutas, que geraram faturamento da ordem de R$ 50 milhões no ano passado, e conta com uma divisão que inclui tratamento de sementes, processamento de algodão e nutrição animal, esta última ancorada em uma fábrica de ração localizada no municípios de São Manoel.
“Nossa visão de futuro é continuar a crescer em insumos, com a inauguração de novas lojas, e também em grãos, onde temos uma mesa de comercialização bastante ativa. Vamos investir R$ 40 milhões nos próximos três anos para implantar um novo sistema de gestão e, a partir de 2026, nosso capex deverá somar R$ 150 milhões em cinco anos”, afirmou Carvalho.
Nesse sentido, e tendo em vista sua forte demanda por capital de giro, a Holambra já estuda novas operações no mercado de capitais. Em 2021, a cooperativa levantou R$ 75 milhões com sua primeira emissão de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), para financiar sua expansão.
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