Mercado global de açúcar poderá ter superávit elevado em 2025/26

Segundo a StoneX, volume deverá alcançar 3,7 milhões de toneladas, maior patamar desde o ciclo 2017/18
Fernando Lopes

A produção global de açúcar deverá crescer mais do que a demanda nesta temporada 2025/26, e com isso o mercado caminha para registrar seu maior superávit desde o ciclo 2017/18. No novo cenário traçado pela empresa de serviços financeiros StoneX, divulgado esta semana, esse superávit alcançará 3,66 milhões de toneladas, ante déficit de 3,3 milhões de toneladas em 2024/25.

Nas contas da StoneX, a produção mundial chegará a 197,5 milhões de toneladas em 2025/26, 4,5% a mais que na última safra. Como de costume, essa oferta será liderada pelo Brasil. Para o Centro-Sul do país, a empresa prevê alta de 0,8%, para 40,8 milhões de toneladas, enquanto nas regiões Norte e Nordeste deverá haver queda de 3,3%, para 3,7 milhões de toneladas.

No campo dos produtores, a Índia vem em segundo lugar, com produção projetada pela StoneX em 32,3 milhões de toneladas em 2025/26, um incremento de 23,8% ante 2024/25. Em seguida aparecem União Europeia e Reino Unido, com volume total de 16 milhões de toneladas (-9,6%), Tailândia, com 11,4 milhões de toneladas (+14,2%) e China, com 11,5 milhões de toneladas (+2,9%).

Como a demanda deverá crescer apenas 0,5%, para 193,8 milhões de toneladas, a StoneX aponta que os estoques globais subirá 5%, para 77,3 milhões de toneladas, elevando a relação entre estoque e uso para 39,9%, patamar próximo da média observada nos últimos 20 anos. Conforme a empresa, essa expectativa de incremento dos estoques, como não poderia deixar de ser, tende a pressionar as cotações do açúcar no mercado internacional.

“A perspectiva de maior oferta ocorre em um cenário no qual o preço do açúcar segue pressionado. Entre setembro e outubro, os contratos de primeira posição em Nova Iorque permaneceram abaixo de US¢ 16 por libra-peso, posteriormente recuando ainda mais, para baixo dos US¢ 15 em novembro”, realçou a StoneX.

De acordo com Marcelo Di Bonifácio, analista de Inteligência de Mercado da empresa, a principal razão para essa queda das cotações é a desaceleração das importações globais. “Mesmo com déficit em 2024/25, muitos países reduziram compras externas e passaram a consumir estoques internos, sustentando a trajetória de queda dos preços”, afirma o analista, em nota.

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