Mesmo com obstáculos, exportações do agro brasileiro bateram novo recorde em 2025

Segundo o Ministério da Agricultura, embarques setoriais renderam US$ 169,2 bilhões, 48,5% do total nacional
Fernando Lopes

As exportações do agronegócio brasileiro cresceram quase 20% em dezembro, para US$ 14 bilhões, e, com isso, encerraram 2025 em novo patamar recorde, o que se tornou comum nas últimas décadas. 

Mas os resultados tiveram sabor especial, tendo em vista os solavancos causados ao longo do ano pela confirmação do primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial no país, em maio, e o tarifaço impostos pelos Estados Unidos às importações de produtos brasileiros, em agosto.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, os embarques setoriais renderam US$ 169,2 bilhões em 2025, 3% mais que em 2024 (US$ 164,3 bilhões) e montante equivalente a 48,5% de todas as exportações do Brasil. 

As importações do agro, por sua vez, cresceram 4,4% e chegaram a US$ 20,2 bilhões, o que significa que o superávit da balança do setor alcançou contundentes US$ 149,1 bilhões.

O ministério realçou que o desempenho positivo foi influenciado positivamente pela abertura de 525 novos mercados desde 2023, mas os principais impulsos vieram mesmo da colheita recorde de grãos na safra 2024/25, lembrando que o país é um dos principais protagonistas do mundo nos mercados de soja, milho e algodão, e da boa oferta de proteínas, área em que o Brasil também é uma potência. 

A China, grande importadora de soja, açúcar e carnes, entre outros produtos, absorveu 32,7% das exportações do agro brasileiro no ano passado – US$ 55,3 bilhões, 11% mais que em 2024.

A soja em grão continuou a encabeçar os embarques do setor, gerando US$ 43,5 bilhões em divisas em 2025, um aumento de 1,4% ante o ano anterior. Entre as carnes, a bovina se destacou e também bateu recorde, com US$ 17,9 bilhões (alta de 39,9%). 

“O café, outro produto tradicional da pauta exportadora, apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais que atingiram níveis históricos, tanto para o café verde quanto para o café solúvel”, realçou o ministério, em comunicado.

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