Após recordes em 2025, exportações de carne bovina encaram desafios em 2026

Em tempos de guerras comerciais e medidas protecionistas, Abrafrigo confia na abertura e/ou consolidação de novos mercados
Fernando Lopes

Após fechar 2025 com novos recordes históricos, as exportações de carne bovina do Brasil enfrentarão em 2026 o desafio de lidar com as novas salvaguardas comerciais impostas pela China e o acirramento de guerras comerciais e de medidas protecionistas no cenário global. Mas, ainda com uma oferta de gado relativamente confortável no país, restrições em concorrentes como os Estados Unidos e a consolidação de novos mercados para as vendas, é de se esperar um desempenho novamente pujante dos embarques.  

“A viabilização de novos mercados terá papel fundamental para a manutenção do forte protagonismo conquistado pela carne bovina brasileira no mercado mundial. Afinal, o ano de 2026 será desafiador em função de disputas geopolíticas, de tendências de acirramento de guerras comerciais e tarifárias e das medidas de salvaguardas comerciais impostas pela China, as quais limitam as importações de carne bovina do Brasil, livres de tarifa extra quota de 55%, a 1,1 milhão de toneladas”, destacou a Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), em nota.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela entidade, no ano passado as exportações de carne bovina in natura e industrializada, miudezas comestíveis e outros subprodutos alcançaram 3,853 milhões de toneladas e renderam US$ 18,365 bilhões no ano passado, com aumentos de 20,7% e 40% ante 2024 e melhores marcas da história. Na pauta exportadora do país, a carne bovina ficou atrás apenas de petróleo, soja e minério de ferro em 2025.

“O avanço expressivo do faturamento, em 2025, refletiu uma combinação rara: aumento consistente de volume aliado à valorização dos preços médios ao longo do ano. A carne bovina in natura, que representou 90% das exportações do setor, teve crescimento de 42,3% em relação a 2024, alcançando US$ 16,59 bilhões, com volume de 3,083 milhões de toneladas embarcadas (+21,12%)”, informou a Abrafrigo nesta sexta-feira. A carne bovina brasileira chegou a 177 destinos no ano passado, mas os dez principais mercados representaram 83,8% da receita total.

No grupo dos “10+”, a China continuou a ser o grande destaque, com compras de US$ 8,845 bilhões em 2025, 47,8% mais que em 2024 e montante equivalente a 48,2% do total. Os Estados Unidos, apesar do tarifaço que impactou os embarques brasileiros entre agosto e outubro, vieram em segundo lugar, com US$ 2,064 bilhões, alta de 25,9% em relação ao ano anterior, seguidos por União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita.

“Um dos melhores desempenhos de 2025 veio da União Europeia, onde as exportações cresceram 76,5%, para US$ 1,049 bilhão, em valores, e 57%, para 128 mil toneladas, em volume (…) A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia abre uma janela de oportunidades para a ampliação de mercado, apesar de limitações impostas por regras de salvaguardas pelo lado europeu, consideradas draconianas e que podem limitar significativamente os ganhos comerciais para a carne brasileira”, realçou a Abrafrigo.

Depois de dois anos de “crescimento vertiginoso”, a entidade acredita que a tendência é de consolidação, com a abertura e o avanço gradual das vendas em mercados “tecnicamente complexos”, como Japão e Coreia do Sul, e da consolidação do espaço conquistado no Vietnã em 2025. “A viabilização de novos mercados terá papel fundamental para a manutenção do forte protagonismo conquistado pela carne bovina brasileira no mercado mundial”, concluiu a Abrafrigo

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