A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell que lidera o segmento sucroalcooleiro no país, encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões, ante perda de R$ 2,571 bilhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 3,3%, para R$ 3,151 bilhões, enquanto sua receita líquida diminuiu 9,7%, para R$ 60,392 bilhões.
Segundo a empresa, que enfrenta problemas financeiros e vem executando um profundo plano de reestruturação dos negócios e simplificação do portfólio de ativos, o forte aumento do prejuízo inclui um impacto pontual de R$ 11,1 bilhões envolvendo a constituição de provisão para não realização (sem efeito caixa) de determinados ativos. Não fosse por isso, pontuou a Raízen em texto que acompanha os resultados divulgados ontem, a perda entre outubro e dezembro de 2025 teria sido de R$ 4,5 bilhões.
No front operacional, a Raízen considerou os resultados positivos, embora o Ebitda ajustado tenha acusado os reflexos da retração do volume de vendas de etanol, da queda das cotações do açúcar e do encolhimento dos ganhos associados à contratos de energia. Em contrapartida, melhoraram os volumes e as margens da distribuição de combustíveis no Brasil e da rentabilidade da distribuição de combustíveis na Argentina após a conclusão do projeto de modernização da refinaria da companhia no país.
“Os resultados apresentados neste trimestre e ao longo do ano evidenciam que, do ponto de vista operacional, conseguimos demonstrar importantes avanços, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso, com impactos negativos sobre a produtividade agrícola e, mais recentemente, sobre os preços de açúcar e etanol. Evoluímos de forma consistente na execução do Plano de Transformação, cujo objetivo é garantir a sustentabilidade da Companhia e reduzir o seu endividamento no longo prazo. Esse plano já conta com entregas concretas em eficiência, disciplina operacional e financeira”, realçou a Raízen.
De acordo com a companhia, seu plano de desinvestimentos, baseado na venda de ativos, já representam cerca de R$ 5 bilhões em caixa, “além da saída de determinadas operações que resultaram na melhoria do portfólio de ativos (…) Capturamos ganhos relevantes de eficiência por meio de uma gestão disciplinada de custos e despesas e da revisão das estruturas corporativas e operacionais. Essas iniciativas já se traduzem em uma melhoria de R$ 600 milhões nos resultados dos nove meses do ano safra 2025/26”.
Apesar dos avanços destacados, a dívida líquida da Raízen fechou o terceiro trimestre do exercício em R$ 55,322 bilhões, com incremento de 43,4% em relação a um ano antes. “A variação decorreu, principalmente, da substituição de linhas de capital de giro de curto prazo – notadamente operações de convênios com fornecedores (risco sacado) e a não renovação de adiantamentos de clientes – por instrumentos de dívida de longo prazo com menor custo, além do aumento das despesas financeiras e ao consumo de capital de giro associado aos estoques de açúcar e etanol”, explicou a empresa.
“No âmbito da gestão ativa e recorrente dos passivos financeiros, em outubro de 2025 a Companhia alongou US$ 300 milhões com prazo de até cinco anos. O prazo médio da dívida encerrou o trimestre em 7,6 anos. A Companhia manteve posição de liquidez similar ao trimestre anterior, com R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes de caixa, dos quais mais de 90 % correspondem a disponibilidade imediata, alocados integralmente em instituições financeiras de primeira linha. Adicionalmente, a Raízen ainda deverá receber cerca de R$ 1,5 bilhão nos próximos meses, referentes à conclusão de desinvestimentos previamente anunciados”.
Em meio aos desinvestimentos e a adversidades climáticas, no segmento que envolve os negócios da Raízen com etanol, açúcar e bioenergia a moagem de cana caiu 23,2% no terceiro trimestre do exercício ante o mesmo período do ciclo anterior, para 10,6 milhões de toneladas. Na comparação, a produção de açúcar diminuiu 17,9%, para 671 mil toneladas, e a de etanol foi 19,3% mais baixa (503 mil metros cúbicos). Já a produção de etanol celulósico, de segunda geração, mais do que dobrou e alcançou 39,2 mil metros cúbicos.
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