GPT informa que oferta para fusão com Kepler Weber expirou e negócio naufraga

Grupo americano e Trígono Capital, gestora que tem fatia relevante da empresa brasileira, divergem e transação não seguirá adiante
Fernando Lopes

A americana A-AG Topco (GPT) enviou comunicado à Kepler Weber dando conta de que a oferta que apresentou para a combinação de seus negócios com os da companhia brasileira expirou. 

O conselho de administração da Kepler aprovou a operação até às 18h00 de ontem, como estava pré-estabelecido, mas GPT e Trígono Capital, gestora que tem participação relevante no capital da Kepler Weber, não chegaram a um acordo sobre o Compromisso de Voto que deveria ser firmado entre ambas para que a transação seguisse adiante.

“Dessa forma, em decorrência da retirada da oferta pela GPT, a transação não prosseguirá, e as deliberações tomadas e/ou atos praticados em relação à transação pretendida ficam sem efeito”, realçou a Kepler, em comunicado. 

“Não obstante tal fato, a administração reitera que a companhia apresenta elevada solidez econômico-financeira e operacional mesmo diante de um ciclo setorial mais adverso, amparada por um histórico consistente de disciplina de gestão, governança e execução estratégica”, reforçou a empresa brasileira. 

“A Kepler Weber manterá foco rigoroso e contínuo na implementação do seu plano estratégico KW 2030, com diretrizes claramente orientadas ao crescimento sustentável, à eficiência operacional e à inovação, que tem contribuído para a consolidação e o fortalecimento de sua posição de liderança no mercado brasileiro”, continuou.

A Kepler Weber é líder em equipamentos de armazenagem e soluções para pós-colheita de grãos no Brasil e na América Latina, onde também está presente em países como Argentina e Paraguai, entre outros. Encerrou o ano passado com receita líquida de R$ 1,49 bilhão, 7,3% menos que em 2024, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 231,9 milhões, em baixa de 29,4%, e lucro líquido de R$ 156,3 milhões, em queda de 21,5%.

Com faturamento anual da ordem de US$ 1 bilhão, a GPT, que até o fim de 2024 era uma divisão da gigante de máquinas agrícolas AGCO, é uma fornecedora global de equipamentos para armazenagem de grãos e sementes e de sistemas de alimentação, ventilação e controle para a produção de proteínas. Conta com 14 unidades de produção na América do Norte, no Brasil, na Europa e na Malásia, com cerca de 3,2 mil colaboradores, e mantém vendas em mais de 100 países. 

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