Raízen avalia aporte de R$ 4 bi dos controladores e cogita recuperação extrajudicial

Com dívida líquida que encerrou 2025 em mais de R$ 55 bilhões, empresa também continuará a vender ativos considerados “não estratégicos”
Fernando Lopes

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, informou que está avaliando a implementação de uma solução “abrangente e definitiva” para fortalecer sua estrutura de capital, abalada por uma dívida líquida que alcançou R$ 55,322 bilhões ao término de 2025, 43,4% maior que um ano antes. 

Segundo a companhia, a proposta atualmente em discussão contempla, entre outras medidas, uma injeção de capital de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto, controlador da Cosan. 

Além dessa capitalização, estão em análise a conversão de parte da dívida em capital, combinada com o alongamento do saldo remanescente, e a continuidade do processo de simplificação dos negócios e venda de ativos “não estratégicos”. De acordo com a empresa, seu plano de desinvestimentos representou cerca de R$ 5 bilhões em caixa até dezembro.

Recuperação extrajudicial

“Nesse contexto, a companhia pretende assegurar um ambiente protegido e ordenado que permita a condução de discussões com seus credores financeiros e a busca de uma solução consensual, a ser eventualmente implementada por meio de uma recuperação extrajudicial, se necessária”, informou a Raízen.

A companhia encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões, ante perda de R$ 2,571 bilhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 3,3%, para R$ 3,151 bilhões, enquanto a receita líquida diminuiu 9,7%, para R$ 60,392 bilhões.

Em meio aos desinvestimentos e a adversidades climáticas, a moagem de cana da Raízen caiu 23,2% no terceiro trimestre, para 10,6 milhões de toneladas. A produção de açúcar diminuiu 17,9%, para 671 mil toneladas, e a de etanol foi 19,3% mais baixa (503 mil metros cúbicos). Já a produção de etanol celulósico, de segunda geração, mais do que dobrou e alcançou 39,2 mil metros cúbicos.

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