Apesar de prejuízo no 4º trimestre, lucro líquido da SLC cresceu 17% em 2025

Resultado anual da companhia alcançou R$ 565,2 milhões; Ebitda e receita registraram aumentos expressivos
Fernando Lopes

A SLC, uma das maiores produtoras de grãos e algodão do país, encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 70,8 milhões, 37,8% superior à perda observada em igual intervalo do ano anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia cresceu 3,6%, para R$ 633,1 milhões, e sua receita líquida avançou 15%, para R$ 2,272 bilhões.

Apesar do incremento do prejuízo observado entre outubro e dezembro, influenciado pelo aumento de despesas, inclusive não recorrentes (relativos à venda e custo de investimentos realizados e associados a despesas com assessorias), em todo o ano passado a SLC lucrou R$ 565,2 milhões, 17,3% mais que em 2024. O Ebitda ajustado anual da empresa, por sua vez, registrou alta de 30,8%, para R$ 2,665 bilhões, enquanto a receita líquida avançou 23,7%, para R$ 8,553 bilhões.

Segundo a SLC, em geral seus resultados anuais foram beneficiados sobretudo pela melhora da performance dos negócios com soja e milho, que apresentaram ganhos de produtividade na safra 2024/25 – que bateu novos recordes – em relação ao ciclo 2023/24. No total, a área plantada da companhia atingiu 735,9 mil hectares em 2024/25, ante 661,3 mil hectares em 2023/24. A soja (comercial e semente) ocupou a maior parte dela (377,5 mil hectares, alta de 18%), seguida por algodão (178,8 mil, queda de 5,3%) e milho 2ª safra (122,7 mil, alta de 29%).

Nesta safra 2025/26, a área plantada total da SLC está calculada em 837,2 mil hectares, dividida principalmente entre soja (424,7 mil), algodão (192,1 mil) e milho 2ª safra (157,4 mil). O aumento da área reflete a compra, no ano passado, da Sierentz Agro Brasil. A operação adquirida é 100% em áreas arrendadas (96 mil hectares), distribuídas por Maranhão, Piauí e Pará. No ano passado, a  companhia também comprou áreas da Agrícola Xingu na Bahia e em Minas Gerais e adquiriu a participação da Mitsui na joint venture SLC-MIT, com a incorporação de mais 27 mil hectares.

Também houve uma associação com FIPs sob gestão do BTG, “que possibilitou a entrada de R$ 913 milhões em 2025 e mais R$ 119 milhões previstos para 2026, cujo projeto visa acelerar a implementação de área irrigada na Bahia em 21.033 hectares nas fazendas Piratini e Paladino. Na Fazenda Piratini, o projeto já se encontra em andamento e, até 2026, está prevista a execução adicional de 6.303 hectares, totalizando 13.204 hectares. Na Fazenda Paladino, o projeto de irrigação será implementado desde a fase inicial, abrangendo 14.730 hectares, dependendo de licenças para captação de água e perfuração de poços, bem como do fornecimento de energia elétrica. A expectativa é implementar o projeto de irrigação na Fazenda Paladino entre 2028 e 2030”, informou a SLC em texto que acompanha os resultados divulgados.

A empresa destacou, ainda, que sua geração de caixa negativa de R$ 929,4 milhões foi reflexo dos investimentos e desembolsos relacionados ao Capex que totalizou R$ 1,7 bilhão e incluiu, além da aquisição de terras, correção de solo, infraestrutura agrícola, máquinas, equipamentos e projetos de irrigação. No fim do exercício, a dívida líquida ajustada atingiu R$ 5,2 bilhões, e a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) subiu para 1,97 vez. 

Ainda segundo a SLC, seu conselho de administração aprovou um novo programa de recompra de até 10 milhões de ações, a serem mantidas em tesouraria para posterior alienação e/ou cancelamento. “Adicionalmente, avaliou como oportuno o ajuste no cronograma de pagamento de dividendos, sendo deliberado e pago em 2025 o montante de R$ 400 milhões, equivalente a R$ 0,91 por ação, a título de dividendos e Juros sobre o Capital Próprio”.

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