CTC inaugura unidade de produção de sementes de cana em Piracicaba

Fábrica absorveu investimentos de R$ 100 milhões e permite a ampliação da oferta da novidade, que promete revolucionar o plantio da matéria-prima
Fernando Lopes

O Centro de Tecnologia Canaveira (CTC), controlado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por grandes grupos do segmento de açúcar e bioenergia, inaugurou ontem, em sua sede em Piracicaba (CTC), sua primeira Unidade de Produção de Sementes. A planta amplia a escala da produção de sementes sintéticas para o plantio de cana que estão sendo desenvolvidas pela empresa desde 2013.

O CTC iniciou o processo de criação das sementes sintéticas em 2013, e espera lançá-las comercialmente em mais dois anos. No total, os investimentos nas pesquisas e no desenvolvimento da nova tecnologia deverão alcançar cerca de R$ 1 bilhão, dos quais R$ 100 milhões foram aplicados na nova fábrica, que contou com crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Somadas a novas variedades de cana lançadas recentemente ou que entrarão no mercado nos próximos anos, sobretudo as transgênicas, as sementes sintéticas fazem parte do plano estratégico do CTC de colaborar para a duplicação da produtividade média dos canaviais brasileiros até 2040, em relação ao patamar de 2020  Na última safra, as sementes foram testadas em 20 hectares, e a área deverá aumentar agora para 100 hectares.

A expectativa é que as sementes, produzidas em laboratório com todas as características genéticas, substituam o tradicional modelo baseado em mudas, com vantagens claras em sanidade e qualidade, eficiência da semeadura, manejo e transporte, além da eliminação de viveiros. Os ganhos calculados poderão atingir entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por hectare, segundo cálculos iniciais do CTC.

“Estamos com a produção estagnada, com custos crescentes, e os produtores estão sendo obrigados a alongar o ciclo dos canaviais. Trata-se de um ciclo negativo, que precisamos romper”, afirmou Cesar Barros, CEO do CTC, durante a inauguração. Nesse contexto, “as sementes sintéticas são uma revolução”, completou o executivo.

Nos nove primeiros meses do exercício 2025/26, que começou em abril do ano passado, o CTC calcula que o “market share” de suas variedades de cana tenha superado 30% do plantio  no país, e 80% da semeadura foi realizada com variedades lançadas no mercado mais recentemente. No período, a receita líquida da companhia beirou R$ 350 milhões, com aumento de 13% ante igual intervalo do ano-fiscal anterior.

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