A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra e venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em março, com prejuízo líquido de R$ 14,302 milhões, ante perda de R$ 1,093 milhão em igual intervalo do ano-fiscal anterior. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia foi negativo em R$ 28,566 milhões, ante resultado também negativo de R$ 5,088 milhão entre janeiro e março de 2025, e sua receita líquida caiu 17%, para R$ 141,752 milhões.
O prejuízo líquido registrado foi influenciado por um resultado financeiro negativo de R$ 14,843 milhões, embora este tenha sido menor que o observado no mesmo período do ano-fiscal anterior (R$ 17,339 milhões). Para o resultado negativo do terceiro trimestre do exercício atual, pesaram juros (R$ 25,226 milhões) e operações com derivativos (R$ 12,180 milhões). Segundo Gustavo Lopez, CFO e diretor de Relações com Investidores da BrasilAgro, pesou sobre os derivativos a oscilação da cotação da soja na bolsa de Chicago, que subiu mais do que o previsto na esteira da escalada dos conflitos no Oriente Médio.
Da receita líquida total entre janeiro e março deste ano, a área operacional, de produção, representou R$ 141,742 milhões, enquanto a venda de parte de uma fazenda no Paraguai (Moroti), já informada pelo NPagro, respondeu por R$ 4,064 milhões. Na área operacional, a soja colaborou com receita líquida de R$ 95,784 milhões, 8% menos que no terceiro trimestre do ano-fiscal passado, e o algodão em pluma com R$ 21,744 milhões, em baixa de 43%. Cana e milho safrinha representaram R$ 7,263 milhões e R$ 6,579 milhões, respectivamente.
Lopez destacou que a colheita de soja nas regiões de atuação da companhia foi “muito boa”, com destaque para as produtividades no Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que superaram as expectativas. Segundo o executivo, o plantio da safrinha de milho ficou abaixo do previsto, por conta de questões ligadas ao clima, mas a área semeada está se desenvolvendo bem, e as perspectivas indicam forte recuperação dos resultados da empresa com cana, segmento que foi afetado por adversidades climáticas na última temporada.
Como “carregou” boa parte da colheita de soja, neste quarto trimestre a oleaginosa e a cana, que normalmente representam mais de 80% do Ebitda anual da BrasilAgro, vão ganhar ainda mais força nos resultados da companhia. Diante do aumento dos preços dos fertilizantes, por causa da guerra, a BrasilAgro está segurando o quanto pode as compras para a próxima safra de verão, e por enquanto a estratégia tem dado resultado, até porque o câmbio está compensando parte do aumento das cotações. Mas a semeadura terá início em setembro, e nos próximos meses uma aceleração das aquisições será inevitável, mesmo com preços mais elevados.
Esse, conforme Gustavo Lopez, é um dos fatores que alimentam incertezas para a safra de grãos 2026/27. Os outros são o clima, uma vez que o plantio se dará sob efeito do fenômeno El Niño, os juros domésticos e o cenário externo, permeado de ameaças bélicas e tarifárias. Vale lembrar que o presidente Lula conversou com o colega Donald Trump nesta quinta-feira em Washington, e que em breve Estados Unidos e China voltarão à mesa para novas negociações.
Na área imobiliária, a BrasilAgro encerrou o terceiro trimestre com um portfólio composto por 252.295 hectares, distribuídos por seis Estados do Brasil, Bolívia e Paraguai, onde houve a venda de 921 hectares da Fazenda Moroti. Embora continue atenta a boa s oportunidades para vender, a companhia também está disposta a fazer aquisições. De acordo com Lopez, atualmente esse mercado tem apresentado boa liquidez sobretudo no Maranhão, no Piauí e na Bahia.
Após os resultados do terceiro trimestre, a BrasilAgro encerrou os nove primeiros meses de seu exercício 2026 com prejuízo de R$ 76,066 milhões, ante lucro de R$ 76,738 milhões em igual intervalo do ano-fiscal 2025, Ebitda ajustado total de R$ 42,779 milhões, em queda de 78% na mesma comparação, e receita líquida de R$ 639,843 milhões, 18% menor.
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