Em meio a boas e más notícias, as exportações brasileiras de carnes bovina, de frango e suína permaneceram em alta em maio, e novos recordes foram batidos. Pela primeira vez na história, a receita dos embarques de carne de frango do país superaram a marca de US$ 1 bilhão em um único mês, ao passo que as vendas externas de carne suína atingiram os melhores resultados para um mês de maio.
CARNE DE FRANGO
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne de frango alcançaram 509,9 mil toneladas e renderam US$ 1,009 bilhão em maio, com aumentos de 29,6% e 36,1% em relação ao mesmo mês de 2025, respectivamente. O volume mensal registrado também foi o maior da história, conforme a entidade.
A China voltou a liderar as importações em maio, com compras de 48,3 mil toneladas, 34,7% mais que um ano antes. Em seguida vieram Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%), Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%), África do Sul, com 31,4 mil toneladas (+22,8%), e México, com 23,5 mil toneladas (+40,9%).
Olhando para frente, no entanto, a UE confirmou o veto à entrada de carnes brasileiras em suas fronteiras a partir do início de setembro, sob a alegação de que o país não conseguiu comprovar que cumpre as exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos ao longo da cadeia produtiva. A medida preocupa o segmento de proteínas animais como um todo, que já encara problemas logísticos e de custos por causa da guerra no Oriente Médio.
“Os resultados [de maio] foram conquistados em um ambiente marcado por incertezas logísticas globais e pelos impactos decorrentes das tensões no Oriente Médio, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse contexto, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que mantivemos forte presença no Oriente Médio e ampliamos oportunidades em mercados emergentes”, afirma o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.
De janeiro a maio, os embarques de carne de frango do Brasil somaram 2,453 milhões de toneladas, 8,7% mais que em igual intervalo de 2025, e renderam US$ 4,714 bilhões, um incremento de 11,3% na mesma comparação.
CARNE SUÍNA
No caso da carne suína, os embarques do Brasil alcançaram em maio 129,4 mil toneladas, ou US$ 302,1 milhões, com crescimentos de 9% e 3,8% ante maio do ano passado, segundo a ABPA. As Filipinas foram os maiores importadores, com 27,2 mil toneladas (+3,8%), seguidas por Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), e México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%).
“Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês”, destaca Santin.
Nessa área, bem como na carne bovina, o fato de a China ter reconhecido o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação tende a abrir novas oportunidades para os exportadores, lembrando que o país asiático só reconhecia que Santa Catarina tinha esse status. De janeiro a maio, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, em alta de 13,1%, ou US$ 1,546 bilhão (+11,9%).
CARNE BOVINA
Já as exportações brasileiras de carne bovina atingiram 297 mil toneladas e renderam US$ 1,83 bilhão em maio, de acordo com compilação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Em relação ao mesmo mês de 2025, o volume cresceu 17,8% e a receita foi 6,5% superior.
Como na carne de frango, na bovina a China também continuou a ser o principal destino dos embarques do Brasil em maio com compras de 157,6 mil toneladas (+39,6%), ou US$ 1,06 bilhão. Mas, se por um lado a notícia sobre a aftosa foi positiva, por outro as salvaguardas impostas por Pequim às exportações chinesas em 2026 continuam a preocupar.
“O avanço das exportações para a China ocorre em um contexto de antecipação de embarques pelo mercado em razão da entrada em vigor das medidas de salvaguarda anunciadas pelo país para as importações de carne bovina”, reiterou a Abiec, em nota. A China estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,1 milhão de toneladas sem taxa adicional de 55% para este ano, e as negociações em torno desse volume já estão em fase final.
Entre janeiro e maio, o Brasil exportou 1,388 milhão de toneladas de carne bovina, aumento de 15,3% ante o mesmo período do ano passado, enquanto a receita acumulada atingiu US$ 7,88 bilhões. No período, as compras chinesas chegaram a 631,9 mil toneladas, ou US$ 3,78 milhões.
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