Consumo de café na China cresce três vezes mais do que a média mundial

Enquanto a demanda global avançará 3,1% em 2025, ritmo de crescimento no mercado chinês será de 9,3%, o maior entre os demais países do mundo
Fernando Lopes

Quem trabalha no mercado de café certamente já ouviu a seguinte frase: “no dia que cada chinês trocar uma xícara de chá por uma de café faltará café no mundo”. Os chineses ainda não trocaram totalmente o chá pelo café, mas o consumo por lá está crescendo em um ritmo impressionante.

O último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre o mercado de café mostra que o consumo na China será de 6,3 milhões de sacas – ou 378 mil toneladas – na safra 2024/25. O resultado representa um crescimento de expressivos 9,3% em comparação ao ano anterior.

Do ponto de vista global, o consumo mundial está projetado para superar 168 milhões de sacas – ou 10 milhões de toneladas – no ciclo 2024/25. O novo número é 3,1% maior do que foi consumido de café no planeta no ano anterior.

O crescimento do consumo na China é o maior entre os maiores consumidores de café do mundo. E o motivo está exatamente na mudança do comportamento do cidadão chinês. 

Embora o chá continue sendo a principal bebida da China, o café está se tornando mais popular, especialmente entre os profissionais mais jovens das áreas urbanas, que cada vez mais compram a bebida fora de casa.

Os principais mercados de consumo na China ainda são as cidades mais populosas como Pequim, Xangai, Guangzhou e Shenzhen. Porém, já se percebe um crescimento acelerado de lojas em regiões menores como Chengdu, Hangzhou, Suzhou e Chongqing.

O atual cenário de venda de café na China reflete uma mudança no perfil das lojas que comercializam os produtos. Se no início dos anos 2000 as grandes cidades chinesas foram dominadas por empresas internacionais, hoje já se percebe uma expansão de redes locais, que tem se mostrado mais hábil em atender o hábito de consumo do chinês.

Essas novas empresas nacionais adaptaram seu modelo de negócio para oferecer compras on-line para retirada em loja ou entrega nos escritórios, o que aumentou os volumes e reduziu os custos. Isso estimulou ainda mais o consumo, pois o café se tornou mais acessível. 

Já é possível perceber com clareza que, a cada ano que passa, o consumidor chinês troca o café solúvel importado pelo café torrado localmente. Em resposta, a China tem aumentado sistematicamente suas importações de café verde para industrializar localmente.

Na última década, as importações totais de café da China quase triplicaram para 5,5 milhões de sacas. A previsão é que cheguem a 5,6 milhões em 2024/25. Esse crescimento explosivo foi impulsionado exatamente pelo café verde, que saltou de apenas 900 mil sacas em 2014/15 para uma previsão de 3,6 milhões em 2024/25.

Ainda que o consumo e as importações chinesas de café tenham crescido em ritmo acelerado na última década, o espaço para novos avanços parece estar longe de ser preenchido. O consumo per capita na China ainda é um dos menores do mundo. Em média, cada chinês consome modestos 270 gramas por ano. Em termos comparativos, a média mundial é 1,26 quilos.

Por aqui, o brasileiro consome 6,3 quilos de café por ano, em média. É um dos maiores consumos per capita do mundo, à frente de Estados Unidos (4,3 kg/hab/ano) e União Europeia (5,6 kg/hab/ano). Mas não somos os que mais consome individualmente. Acreditem ou não, o Canadá lidera esse ranking. Em média, cada canadense consome por ano mais de 8 quilos de café por ano.

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