Kepler Weber está perto de iniciar negócios de aluguel de unidades armazenadoras

Com o novo modelo, empresa busca diversificar atuação para diluir riscos e garantir receita recorrente
Fernando Lopes

A Kepler Weber, líder em armazenagem e soluções para pós-colheita de grãos na América Latina, está perto de colocar em marcha seus primeiros negócios envolvendo o aluguel de unidades armazenadoras de grãos, a nova vertente que escolheu para diversificar sua atuação. A estratégia tem por objetivo diluir riscos e manter a companhia nos trilhos do crescimento.

Com os aluguéis, a ideia da Kepler Weber é atrair recursos de investidores para a construção das unidades, poupando o próprio caixa, e criar uma fonte de receita recorrente, um trunfo para uma empresa acostumada a ser remunerada por projetos que normalmente demoram meses para dar retorno. 

Em evento para analistas e investidores no fim de 2024, Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, adiantou que a expectativa era ter um piloto desse novo modelo já neste início de ano em Mato Grosso, numa região com elevada liquidez – ou seja, com produção significativa e carência de estruturas de armazenagem, que é um problema crônico no país. 

Para isso, a empresa fez uma parceria com uma gestora para criar um fundo imobiliário que está em fase final de capitalização inicial. Esse fundo é a porta de entrada para os investidores interessados em financiar a construção das unidades que serão alugadas, e a expectativa é que sejam atraídos até R$ 500 milhões em um primeiro momento.

No início dos estudos para a definição da nova vertente, há dois anos, a Kepler Weber avaliou usar recursos próprios para erguer as unidades. Mas, com o fundo, a velocidade do crescimento do negócio pode ser maior. “Para o modelo ser escalável, decidimos ir ao mercado financeiro”, afirmou Diego Wenningkamp, diretor de implantação de projetos e serviços digitais da empresa, ao NPagro.

A construção de uma unidade com capacidade para 120 mil toneladas atualmente custa cerca de R$ 100 milhões. Com R$ 500 milhões, a Kepler Weber espera construir entre cinco e dez unidades. Os contratos de aluguel poderão ter duração de dez, 15 ou 20 anos, por exemplo. Além de Mato Grosso, o Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Tocantins) também está no foco da empresa.

A Kepler Weber vem de seis anos de crescimento com seus negócios tradicionais de construção e venda de unidades e soluções em fazendas, agroindústrias e portos. De janeiro a setembro de 2024, a receita líquida da companhia alcançou R$ 1,147 bilhão, 13,6% mais que no mesmo período de 2023. Mas o aumento dos juros no país e os preços mais baixos da soja são fatores que estão em seu radar, e em períodos mais turvos como esse os aluguéis podem ajudar a manter a roda girando.

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