Consórcios viram redenção para a indústria de máquinas agrícolas em 2025

Montadoras apostam na modalidade para desovar estoques em meio a cenário de alta de juros e baixa disponibilidade de crédito aos produtores
Fernando Lopes

Oferta de crédito mais restrita e taxas de juros mais elevadas. A tempestade perfeita que se desenhava para a indústria de máquinas agrícolas em 2025 ganhou um novo elemento que está sendo visto como a salvação para muitas montadoras.

Termômetro de como serão as vendas do ano, as primeiras feiras agropecuárias do país deixaram claro que o consórcio de máquinas agrícolas será uma forte tendência no atual e conturbado contexto macroeconômico.

Mais do que a tradicional oferta por parte das montadoras, o que se observa até o momento é que existe uma demanda aquecida por parte dos próprios agricultores. Em Cascavel, por exemplo, a Case IH, marca da italiana CNH, vendeu no primeiro dia de feira o equivalente a 50% de todas as cotas comercializadas em todos os cinco dias do Show Rural de 2024.

Segundo Vittorio Rossi Júnior, sócio da Primo Rossi, empresa responsável por administrar o consórcio Case IH desde 2018, de janeiro até agora as vendas duplicaram de volume. E um dos principais motivos do desempenho é o menor custo financeiro da operação, cerca de 40% inferior ao do financiamento convencional.

Há seis anos, a Case IH vendia pouco mais de 340 cotas por ano.  Em 2024, foram comercializadas perto de 3 mil cotas, e a expectativa é que para este ano os negócios fiquem entre 4 mil e 5 mil cotas.

“Tivemos a sensibilidade, pela primeira feira, que vai ser um ano positivo para os consórcios. Temos uma safra potencialmente recorde, existe uma necessidade de mais máquinas e não tem crédito, as linhas estão limitadas. As pessoas estão vindo”, disse Mônica Rossi, sócia da Primo Rossi.

Durante muito tempo, a venda por meio de consórcio foi encarada pela indústria de máquinas como algo secundário. Segundo Vittorio, há seis anos, apenas 1% da produção da marca Case IH no Brasil tinha como destino atender as vendas de consórcio. Hoje, esse percentual é de 12%.

“O consórcio não é uma alternativa, é mais uma possibilidade. Tem gente que tem necessidade imediata e vai ter que comprar à vista ou financiar. Mas, mesmo quem quer financiar tem encontrado hoje restrições de linha de crédito, porque não tem dinheiro suficiente para todos”, disse Mônica.

Lucro líquido da Copersucar cresceu 57% na safra 2025/26, para R$ 631 milhões

Receita líquida da empresa aumentou 5,5% ante o ciclo 2024/25, para R$ 65,8 bilhões

3tentos inaugura mais oito lojas de insumos agrícolas, em quatro Estados

Novas unidades estão localizadas em Goiás, no Pará, em Tocantins e em Minas Gerais

Umidade prejudica a colheita da safrinha de milho no Centro-Sul do país

Segundo a AgRural, trabalhos foram concluídos em 16% da área plantada; consultoria prevê leve aumento da área de soja no ciclo 2026/27

NPagro Cast: A carinata e a produção de SAF

Tamara Thaís Mundt, da Nufarm, fala sobre o avanço do cultivo da planta no Brasil

NPagro Cast: Fertilizantes em tempos de guerra, com StoneX

Inscreva-se para receber
as notícias gratuitamente

Ao inserir seu e-mail, você concorda em receber a newsletter do NPAgro. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento

MAIS LIDAS

ESG

Pecuária sustentável: O “green lot” da família Costabeber em São Sepé

Modelo de produção da Fazenda Pulquéria, importante fornecedora da Minerva no Rio Grande do Sul, privilegia bem-estar dos animais e rende bons preços

Economia

Ministério da Fazenda suspende financiamentos do Plano Safra 2024/25

Secretaria do Tesouro enviou ofício às instituições financeiras determinando a suspensão de novas contratações de crédito rural subvencionado

Indústria

Faturamento da C.Vale caiu 10% em 2024, mas sobras aumentaram 25%

Receita da cooperativa paranaense alcançou R$ 22 bilhões, prejudicada por grãos