Resistência do consumidor colabora para a queda dos preços do arroz ao produtor

Valor médio do indicador Cepea/Irga-RS caiu 15,2% em fevereiro ante o mesmo mês de 2024
Fernando Lopes

As dificuldades que atacadistas e varejistas estão enfrentando em repassar aumentos de preços ao consumidor colaboraram para a queda das cotações do arroz ao produtor em fevereiro, apesar da oferta limitada. Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), o indicador do arroz em casca Cepea/Irga-RS (Rio Grande do Sul, 58% de grãos inteiros e pagamento à vista) recuou 10,6% ao longo do mês passado e registrou valor médio de R$ 95,70 a saca de 50 quilos.

Esse valor médio é 4% inferior ao de janeiro e 15,2% mais baixo que o apurado em fevereiro do ano passado. Segundo os pesquisadores do Cepa, atacado e varejo aguardam a entrada da nova safra de arroz para intensificarem as compras, a cotações mais em conta. Mesmo com a disponibilidade limitada do produto, os produtores interessados em vender têm sido levados a reduzir preços ou a alongar prazos de pagamento.

Segundo os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de arroz em casca alcançará 11,8 milhões de toneladas nesta safra 2024/25, com aumento de 11,4% em relação ao volume colhido no ciclo 2023/24. A estatal estima que a área plantada cresceu 6,4%, para 1,7 milhão de hectares, e que o rendimento médio das lavouras aumentará 4,7%, para 6.895 quilos por hectare.

A produção nacional é liderada pelo Rio Grande do Sul, onde a área plantada chegou a 970,2 mil hectares, conforme o Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga). De acordo com a Emater/RS-Ascar, o forte calor e as chuvas irregulares que tanto têm prejudicado as plantações de soja têm afetado pouco os rizicultores, e a produtividade gaúcha deverá atingir a média de 8.478 quilos por hectare.

“O potencial produtivo das lavouras de arroz se mantém alinhado às projeções iniciais de produtividade. As dificuldades durante o cultivo, em relação às temperaturas elevadas (acima da média histórica) e à capacidade de irrigação durante a estiagem, estão sendo superadas com a aproximação do final do ciclo produtivo, quando ocorre a redução natural da demanda evapotranspirativa das plantas, aliada a precipitações pontuais no final do estágio reprodutivo, que permitiram a recarga parcial dos reservatórios”, informou a Emater.

Em tempos de elevada inflação dos alimentos no país, a Conab espera poucas mudanças no comércio exterior do cereal nesta safra 2024/25. A estatal prevê que, como em 2023/24, as importações vão somar 1,4 milhão de toneladas, e que as exportações vão registrar incremento de 500 mil toneladas, para 2 milhões. Com o aumento da produção, contudo, os estoques finais tendem a aumentar de 393,4 mil toneladas, em 2023/24, para pouco mais de 1 milhão de toneladas em 2024/25, o que poderá arrefecer qualquer pressão sobre os preços.

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