A Marfrig vai pagar R$ 48 milhões para seu controlador, o empresário Marcos Molina. O valor não corresponde ao pagamento de dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP), mas sim, à aquisição de alguns confinamentos pertencentes à MFG Agropecuária, empresa que concentra as fazendas de Molina.
A empresa não deu detalhes sobre quantas ou mesmo o tamanho das propriedades, que também possuem produção agrícola. Disse apenas que a transação está “alinhada com a estratégia de garantia de fornecimento; mitigação do custo de ociosidade dos complexos industriais; e o fornecimento de animais de alta qualidade, visando maior produção de produtos com marcas”.
A ideia de reduzir a exposição às instabilidades no fornecimento de gado para abate não é de hoje. Desde o ano passado, a Marfrig anunciou que iria importar dos Estados Unidos o modelo de verticalização no fornecimento de gado para a indústria, que já adota na National Beef.
Por lá, 25% de todo o fornecimento de gado da indústria é originado junto a pecuaristas que se tornaram acionistas minoritários da empresa. Na prática, a empresa tem dentro de casa o próprio gado que será abatido.
Por aqui, a MFG Agropecuária já vinha atuando e ampliando seu fornecimento de gado para a Marfrig ao longo dos últimos anos. Agora, passa a ser um ativo da própria companhia e ganha ainda mais relevância em um momento onde já há sinais claros da reversão do ciclo da pecuária no Brasil.
Para que a transação fosse concluída, o Conselho de Administração da Marfrig solicitou no ano passado que fossem elaborados estudos para verificar a possibilidade e adequação de eventual aquisição do confinamento de gado.
A companhia precisou, inclusive, ajustar seu estatuto social para incluir atividades complementares. Foram incorporados ao objeto social as atividades de cria, recria e engorda de bovinos, equinos, suínos, caprinos, ovinos, aves e bubalinos em pé, em estabelecimento próprio e de terceiros; importação e exportação de produtos correlacionados com o objeto da atividade agropecuária, além de embriões e outros; a prestação de serviço para terceiros de criação, trato, manejo, engorda e transporte de bovinos, equinos, suínos, caprinos, ovinos, aves, e bubalinos em pé; exploração de atividade agropecuária e florestal; serviços de restauração ecológica, entre outros.
Hoje, em reunião do Conselho de Administração a transação foi aprovada. Agora, a ideia é que a MFG possa mitigar o “custo de ociosidade das unidades, uma vez que garante a ocupação para uma maior eficiência financeira e economia de escala”. Além disso, vai ajudar a garantir “o fornecimento de animais de alta qualidade, o que gera ganhos nos âmbitos comercial e de segurança alimentar”.
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