Turbulências provocadas por Trump ameaçam exportações brasileiras de café

Mas preços ainda estão elevados e, em março, puxaram a alta da receita dos embarques, que alcançou US$ 1,3 bilhão
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

Os embarques de café do país alcançaram 3,287 milhões de sacas de 60 quilos e renderam US$ 1,321 bilhão em março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em relação ao mesmo mês de 2024, o volume caiu 24,9%, mas a receita foi 41,8%, graças aos elevados preços praticados no mercado internacional.

“É compreensível a redução no volume de embarques após sairmos de um ano recorde em 2024 e de três safras que não alcançaram seu potencial produtivo total. Além disso, persistem os gargalos logísticos nos portos do país, que impactam o desempenho das remessas ao exterior e oneram ainda mais o processo aos exportadores”, afirmou Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, em nota.

Mesmo com a queda de março, nos nove primeiros meses desta safra 2024/25, que começou em julho, as vendas de café brasileiro no exterior aumentaram 5% na comparação com igual intervalo do ciclo anterior e somaram 36,885 milhões de sacas. O valor das vendas, por sua vez, registrou incremento de 54,3%, para US$ 11,095 bilhões, um novo recorde histórico. A manutenção desse ritmo, contudo, está ameaçada, segundo Ferreira.

“As bolsas de futuros vêm registrando preços altos há meses em função da diminuição da oferta global, por conta de extremos climáticos, os quais afetaram a produtividade nos cafezais de importantes produtores nos últimos anos, como Brasil, Vietnã e Indonésia. Contudo, podemos observar um esfriamento do mercado devido às incertezas causadas pelo tarifaço apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impactou todas as economias e tem feito os mercados derreterem, inclusive o de café”, disse. 

Após a divulgação do relatório do Cecafé, os Estados Unidos suspenderam por 90 dias a imposição de tarifa adicional de 10% sobre suas importações em geral – exceto no caso da China. Mas o cenário preocupa, entre outros motivos porque os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de café. De janeiro a março deste ano, o país comprou 1,806 milhão de sacas (11,7% menos que um ano antes). Em seguida vieram Alemanha (1,403 milhão de sacas, queda de 19,3%), Itália (800,3 mil sacas, queda de 15,8%), Japão (675,2 mil sacas, alta de 10,1%) e Bélgica (500,3 mil sacas, queda de 60,9%). 

No primeiro trimestre, o café verde arábica liderou a pauta de exportações, como de costume. O volume embarcado chegou a 9,012 milhões de sacas, 23,7% menos que no mesmo período de 2024. O café solúvel representou 977,6 mil sacas, com alta de 7,9%, e os cafés verdes conilon e robusta responderam por 703,2 mil sacas, em queda de 62,8%. Já as vendas de cafés torrados e torrados e moídos cresceram 46,1%, para 13,9 mil sacas.

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