A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra e venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o terceiro trimestre de seu exercício 2025, em março, com prejuízo líquido de R$ 1,1 milhão, ante perda de R$ 30,1 milhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. A empresa registrou prejuízo antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 5,1 milhões no período, ante resultado positivo de R$ 5,6 milhões entre janeiro e março de 2024, mas viu sua receita líquida aumentar 40% na comparação, para R$ 170,3 milhões.
Os números refletem a atuação da companhia apenas com produção e vendas agrícolas, uma vez que não houve negócios no ramo imobiliário no trimestre. E deixam clara uma estratégia que optou pelo carregamento de grande parte da colheita de soja para o segundo semestre, quando o mercado da oleaginosa deverá estar mais favorável. Mesmo assim, o volume de vendas do grão cresceu em relação ao mesmo intervalo do ano passado, o que ajudou a reduzir o prejuízo e a elevar o faturamento.
Segundo balanço de resultados divulgado há pouco, a BrasilAgro comercializou 60,5 mil toneladas de soja no terceiro trimestre, 26% mais que um ano antes. A receita líquida decorrente dessas vendas registrou incremento de 21%, para R$ 104,4 milhões. Como explicou Gustavo Lopez, CFO e diretor de Relações com Investidores da empresa, a maior parte do grão já vendida de janeiro a março era de má qualidade e foi negociada a preços baixos, o que ajuda a justificar o Ebitda negativo.
No total, a BrasilAgro vendeu 69,1 mil toneladas de produtos agrícolas no terceiro trimestre, um aumento de 27% ante igual intervalo de 2024. A soja puxou a fila, seguida por algodão em pluma (3,9 mil toneladas), algodão em caroço (1,7 mil), feijão (1,2 mil), milho (377) e bovinos (903). Não houve comercialização de cana, porque a colheita nas unidades da companhia que trabalham com a matéria-prima foi concluída no fim do ano passado. A cana é o segundo principal cultivo da empresa, atrás apenas da soja, e sua influência nos resultados terá mais força neste e nos próximos dois trimestres, como acontecerá também com milho e algodão.
Mas, se essa influência sazonal pode ser considerada normal, o peso que a soja tende a ganhar, sobretudo no segundo semestre, é fruto de uma estratégia que também deu o tom no exercício passado. A colheita da safra 2024/25 da oleaginosa nas fazendas da BrasilAgro já foi encerrada e alcançou quase 252 mil toneladas, 26% mais que em 2023/24, e portanto ainda restam na agulha mais de 190 mil toneladas. Segundo André Guillaumon, CEO da companhia, foi uma boa safra e a produtividade média final ficou apenas 5% abaixo do previsto, por causa do excesso de chuvas em duas fazendas em Mato Grosso e de seca em fevereiro em uma unidade na Bahia.
“Essas mesmas chuvas em Mato Grosso, que continuaram em abril, beneficiaram a safriinha de milho e o algodão. E tivemos aumento da produção de soja no Maranhão e no Piauí, onde os volumes foram acima do orçado”, disse ele. Com um bom volume de soja à disposição, a BrasilAgro está de olho nos preços. E a aposta de postergar vendas tem se mostrado acertada, uma vez que os prêmios pagos pelo grão nos portos, que projeções iniciais indicavam que estariam negativos em abril, estavam positivos e poderão ficar ainda mais azuis no segundo semestre, especialmente se EUA e China continuarem em pé de guerra comercial.
Já o cenário para os negócios imobiliários continua turvo, embora com viés otimista. Ocorre que, na avaliação da BrasilAgro, os valores pedidos para compra ou arrendamento de terras agrícolas estão elevados, acima do razoável para uma empresa que procura manter uma baixa alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda). Mas Guillaumon acredita que, diante de problemas financeiros observados sobretudo em regiões que exigiram grandes investimentos nos últimos anos, como o Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Tocantins), oportunidades que estão sendo monitoradas poderão vingar.
O portfólio de propriedades da BrasilAgro atualmente inclui 22 fazendas, que contam com uma área total de 271 mil hectares e estão espalhadas por Mato Grosso (sete), Bahia (cinco), Piauí (três), Maranhão (duas), Minas Gerais (uma), São Paulo (uma), Bolívia (duas) e Paraguai (uma). No domingo, André Guillaumon embarca para o Paraguai para avaliar in loco propriedades que estão no foco da companhia. “Nosso vetor para os próximos anos é de compra”, resume o CEO.
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