Se alguém se surpreendeu com a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção da safrinha brasileira de milho neste ciclo 2024/25, vai cair da cadeira com a projeção divulgada nesta quarta-feira pela Agroconsult. Segundo a consultoria, a colheita poderá chegar a 112,9 milhões de toneladas, 13 milhões a mais que as 99,8 milhões de toneladas previstas atualmente pela estatal, segunda melhor marca de sua série histórica. Como as bases de comparação são diferentes, os percentuais de aumento em relação à segunda safra da temporada 2023/24 são parecidos: 10,5% (Agroconsult) e 10,8% (Conab).
O Rally da Safra, expedição técnica organizada pela consultoria, está iniciando suas avaliações de lavouras em diferentes polos produtivos do país para corroborar a projeção inicial, fruto de uma área plantada estimada em 17,9 milhões de hectares, 1 milhão de hectares maior que no ciclo passado, e de uma produtividade média de 105 sacas de 60 quilos por hectare, 4,1% superior em igual comparação. A Conab trabalha com 17 milhões de hectares (+3,3%) e 5.875 quilos por hectare (+7,2%).
“Trata-se de uma segunda safra de milho com crescimento expressivo de área, mas que carregava uma dúvida grande sobre seu potencial produtivo em razão das lavouras terem sido implementadas em calendário de maior risco. O alongamento do ciclo da soja levou ao plantio mais tardio do milho – já no mês de março -, especialmente no Mato Grosso e um pouco em Goiás. Mas o receio dos produtores acabou se dissipando com as boas chuvas de abril e que se estenderam até o início de maio, período mais importante para a definição do potencial produtivo das lavouras”, afirma André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, em nota.
A Agroconsult realça que, se a safrinha de fato for tão grande quanto apontam sua previsão inicial, a produção total de milho do Brasil poderá alcançar 140 milhões de toneladas em 2024/25, um incremento de 9,2% ante 2023/24 e volume inferior apenas ao da temporada 2022/23. Nas contas da Conab, serão, no total, 126,9 milhões de toneladas (+9,9%). Após os preços do cereal subirem no mercado doméstico nos últimos meses, um aumento da oferta dessa magnitude poderá se tornar um fator de pressão, sobretudo se os embargos no exterior à carne de frango do país, que registrou um caso de gripe aviária de alta patogenicidade em Montenegro (RS) durarem muito tempo.
Até agora, a consultoria estima que a demanda interna de milho atingirá 96,7 milhões de toneladas, por causa do avanço do etanol feito com o cereal e também do comportamento do mercado de proteína animal, que agora dependerá, em boa medida, da extensão dos problemas provocados pela gripe. As exportações de milho estão previstas pela Agroconsult em 42,8 milhões de toneladas. O Rally da Safra conduzirá suas avaliações até 15 de junho, em cinco Estados – Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.
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