Após consolidar um modelo de negócios baseado na descarbonização de indústrias de diferentes setores da economia, a ComBio, que faturou R$ 850 milhões em 2024, está iniciando uma ofensiva para implantar suas soluções em fábricas de empresas de agronegócios, especialmente usinas de etanol de milho. Nesse caso, o foco da companhia é oferecer alternativas que permitam redução de custos e desalavancagem.
Fundada em 2008 por Paulo Skaf Filho, Roberto Lombardi e os irmãos Marcos e Fábio Brant de Carvalho, a ComBio cresceu com a promoção da troca da queima de combustíveis fósseis por biomassa em seus clientes. Além da implantação de uma geração de energia térmica renovável nas unidades fabris, com a consequente redução da emissão de gases poluentes, a empresa também passou a assumir para seus parceiros a análise da demanda energética e a gestão das caldeiras, tornando a operação mais eficiente.
Atualmente, a ComBio toca uma dezena de projetos com esse perfil no país, em empresas como Klabin, CBA e Ingredion, entre outras. Apenas no ano passado, usou 1,5 milhão de toneladas de biomassa (cavaco de eucalipto, derivados de madeira, bagaço de cana etc) nas caldeiras que tem em operação, e desde sua criação calcula ter evitado a emissão de mais de 3,4 milhões de toneladas de CO2 e ter proporcionado a seus clientes reduções de custos da ordem de 40%.
Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio voltado ao agro, essa redução de custos é o apelo inicial para que a companhia avance no agro, uma vez que, no setor, o uso de biomassa para a geração de energia térmica já é comum. Em plantas existentes, a ComBio pode comprar o ativo de geração, e em projetos de construção de novas fábricas, pode assumir entre 20% e 35% do capex do braço termelétrico do projeto, além dos investimentos em biomassa necessários.
“Com a compra do ativo [de geração de energia] podemos injetar capital para o cliente. Num momento de juros elevados no país, trazemos uma solução que reduz custos e desalavanca o cliente”, reforçou Blandy ao NPagro. De acordo com ele, é com a operação da caldeira que a companhia agrega mais valor às soluções que oferece e captura as maiores reduções de custos, daí porque hoje em dia os contratos que firma sempre preveem esse e serviço.
Como há no país cerca de 20 projetos de construção de usinas de etanol de milho em desenvolvimento, a ComBio elegeu o ramo como prioritário nesta fase inicial de prospecções no agro. Blandy informou que a ComBio já mantém negociações com agroindústrias, e que espera fechar um ou dois contratos até o fim de 2025, ano em que espera faturar quase R$ 1 bilhão.
Para isso, já conta com os recursos necessários para os investimentos. Depois de levantar R$ 450 milhões em 2024 junto ao IFC, braço do Banco Mundial, recentemente a companhia captou R$ 240 milhões no Fundo Clima do BNDES e, nessa operação, poderá ampliar o valor para até R$ 500 milhões.
Paralelamente, a empresa também se prepara para atuar no mercado de créditos de carbono, tendo em vista que já conta com um estoque que pode interessar às principais casas compradoras do mundo. E, não por coincidência, a ComBio está se preparando para marcar presença na COP de Belém, no fim do ano, onde poderá difundir seu modelo de negócios e fortalecer seus planos de diversificação.
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