Colheita da safrinha de milho faz fretes subirem em boa parte do país

Transporte de fertilizantes dos portos para as regiões produtoras de grãos também colabora para o movimento nas estradas
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

Após um período de calmaria que se seguiu ao término da colheita de soja, os fretes agrícolas voltaram a subir em boa parte das regiões produtoras do país, impulsionados sobretudo pela colheita da safrinha de milho. Segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o movimento foi perceptível em junho em rotas de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Pará. O mercado permanece aquecido e tende a permanecer sustentado ao menos até setembro.

Em Mato Grosso, Estado que lidera a produção brasileira de soja e milho, foram registradas no mês passado altas de até 18% em relação a maio. Essa variação foi observada no trecho de 334 quilômetros entre Primavera do Leste e Alto Araguaia, onde o transporte da tonelada de grãos alcançou R$ 130, mesmo valor praticado em junho de 2024,, e na rota de 129 quilômetros que separa Primavera de Rondonópolis (R$ 100/tonelada). De Sorriso ao porto de Santos (1.961 quilômetros), a valorização mensal foi de 4%, para R$ 490.

No que depender da comercialização da safrinha de milho, a expectativa é que os fretes continuem elevados em decorrência da colheita recorde na temporada 2024/25, dos gargalos logísticos que podem travar o escoamento e do déficit de armazenagem de grãos nas fazendas, fatores que forçam os produtores a manter o fluxo de vendas. Ainda segundo a Conab, os preços do milho poderão subir neste segundo semestre no mercado doméstico, sustentados pela demanda da indústria de aves e suínos e das usinas de etanol.

O movimento “agrícola” nas estradas também têm sido garantido pelos envios de fertilizantes dos portos para os polos produtores, que a partir de setembro darão início ao plantio de soja da safra 2025/26. O Brasil é um dos maiores importadores de adubos do mundo, e de janeiro a junho as compras no exterior somaram 19,4 milhões de toneladas, 9,3% mais que no mesmo período do ano passado. Do total, 5,1 milhões de toneladas entraram pelo porto de Paranaguá, no Paraná, 3,8 milhões por terminais do Arco Norte e 2,8 milhões pelo porto de Santos.

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