A Radix, greentech criada em 2015 com o propósito de atrair investidores para fomentar o reflorestamento de áreas desmatadas no país com tecnologia, manejo e retorno financeiro, está ampliando o alcance de suas atividades. Até agora, a atuação da empresa vinha sendo baseada sobretudo no crowdfunding, mas o perfil mudou a partir de um recente aporte R$ 10 milhões do Ecosia, buscador alemão concorrente do Google e outros do gênero.
Com esse investimento, o Ecosia abocanhou uma participação minoritária (não divulgada) na Radix – que, com os recursos, já está tocando um projeto para implantar seu modelo de reflorestamento em 2 mil hectares até 2030. Para transformar essa área, a greentech criou uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), por meio da qual espera conquistar outros investidores interessados em participar da empreitada.
“Financiamento para restauração ainda é um setor travado no Brasil. Precisávamos de um modelo novo para continuar avançando”, afirmou Gilberto Derze, fundador da Radix, ao NPagro. De acordo com ele, novas SPEs deverão ser criadas com foco na transformação de outras áreas. A ideia é chegar a 50 mil hectares até 2050, com o sequestro de 21 milhões de toneladas de CO2.
Na primeira SPE, a meta é plantar 400 hectares por ano, o que representará um salto importante em relação à média anual da última década. Impulsionado pelo crowfunding, o primeiro plantio da Radix foi em 2016 e contemplou 10 hectares adquiridos em Unaí (MG), onde foram cultivadas duas espécies de mogno africano. Em 2017, a greentech partiu para Roraima, onde estabeleceu uma parceria com a Embrapa em 2019 e, até 2020, desenvolveu quatro módulos de plantio, com 100 hectares no total.
O mogno africano também foi a escolha para esses quatro módulos, mas também foram testados cacau, pau-de-balsa (espécie que gera uma madeira comercial leve) e castanheiras, além de espécies nativas como ipê e jacarandá. O perfil de atuação da Radix começou a mudar em 2023, com o quinto módulo implantado em Roraima. Com 40 hectares, esse módulo foi fomentado com R$ 1,3 milhão provenientes do Fundo Verde do BNDES.
Segundo Derze, essa experiência aperfeiçoou a governança da Radix e, indiretamente, serviu para impulsionar a mudança consolidada a partir do aporte da Ecosia. “Tínhamos conhecimento técnico e científico e bom trânsito em nossa região de atuação, mas estávamos crescendo devagar. Temos cerca de 1,1 mil investidores no crowfunding, com os quais levantamos R$ 10 milhões, mas agora estamos nos voltando também para investidores institucionais, inclusive empresas que precisam promover compensações”.
Na expansão prevista pela Radix para os próximos anos, que deverá continuar concentrada em Roraima, também está prevista a geração de recursos no mercado de carbono, o q. ue também poderá interessar investidores institucionais. “O importante é consolidar o modelo de restauração produtiva, com fluxo de caixa e retorno dos investimentos”, concluiu Derze.
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