Alta da amônia e do enxofre poderá tornar os fertilizantes mais caros

Segundo a StoneX, pressão sobre indústrias e agricultores poderá aumentar
Fernando Lopes

A forte valorização das cotações da amônia e do enxofre nas últimas semanas poderá gerar novas altas dos preços dos fertilizantes no Brasil, elevando um pouco mais os custos de produção das indústrias e dos agricultores neste ciclo 2025/26 – tanto nos volumes que ainda precisam ser entregues para a safra de verão, cujo plantio já está em andamento, quanto para a safrinha, cuja semeadura começará a ganhar força em janeiro.

De acordo com relatório divulgado nesta terça-feira pela empresa global de serviços financeiros StoneX, a amônia, matéria-prima de fertilizantes nitrogenados, já acumulou aumentos de preços por 14 semanas consecutivas na Europa. Enquanto isso, nos portos brasileiros a tonelada do enxofre, usado em superfosfato simples (SSP), ácido sulfúrico e ácido fosfórico, voltou a superar a barreira de US$ 300, o que não acontecia desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022.

A StoneX realça que essas altas não significam necessariamente que os fertilizantes serão reajustados, mas é mais um fator de pressão. “Com relações de troca já nos piores patamares dos últimos anos, esse cenário representa mais um desafio para a indústria, mas em última medida este quadro também é preocupante para os agricultores”, afirma o analista de Inteligência de Mercado da empresa, Tomás Pernías, no relatório.

Conforme Pernías, o encarecimento da amônia decorre da menor oferta mundial, em consequência de paralisações de fábricas, manutenções e cortes no fornecimento de gás natural em países produtores. O enxofre, por sua vez, também sofre com problemas de oferta, num momento em que a demanda está particularmente aquecida.

“A valorização da amônia e do enxofre pode reduzir a competitividade de fabricantes que já enfrentam desafios estruturais ou que possuem menor capacidade de repassar custos ao mercado. Em segundo lugar, custos mais altos para a produção também podem limitar a disposição dos produtores em oferecer reduções de preço”, reforça Pernías.

Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as entregas de fertilizantes aos consumidores finais somaram 20,1 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, 10,5% mais que em igual intervalo de 2024. A maior parte das estimativas indicam que, em 2025 como um todo, o volume deverá superar o do ano passado (45,6 milhões de toneladas) e bater um novo recorde, apesar da alta dos preços.  

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