Lucro líquido da Kepler Weber caiu 13,5% no 3º trimestre; Ebitda reagiu

Receita líquida da empresa de equipamentos para armazenagem e soluções para pós-colheita de grãos recuou 3,6%
Fernando Lopes

A Kepler Weber, líder em equipamentos para armazenagem e soluções em pós-colheita de grãos na América Latina, encerrou o terceiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 51,6 milhões, 13,5% menos que em igual período de 2024. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia caiu 20,8%, para R$ 73,6 milhões, e sua receita líquida diminuiu 3,6%, para R$ 423,3 milhões.

O cenário nas áreas de atuação da Kepler Weber continua difícil, em razão da elevada taxa básica de juros do país, da escassez de crédito e dos altos índices de inadimplência no agro, mas a empresa destacou que conseguiu bons avanços de julho a setembro em relação aos dois primeiros trimestres de 2025. O percentual de queda do Ebitda, por exemplo, foi o menor do ano até agora, enquanto a receita líquida foi a terceira maior da história para um terceiro trimestre, o caixa bruto cresceu e foram distribuídos R$ 25 milhões em dividendos.

“Diante do grande déficit de armazenagem que temos no Brasil, nossa tese de investimentos segue sólida”, afirmou Bernardo Nogueira, presidente da Kepler Weber. Para os avanços conquistados, destacou o executivo, pesaram de forma decisiva o lançamento de novos produtos e a diversificação dos negócios da empresa. Tanto que os segmentos de melhor desempenho no terceiro trimestre foram “Negócios Internacionais”, “Portos e Terminais” e  “Reposição e Serviços”., que compensaram, em parte, as maiores dificuldades enfrentadas nos tradicionais ramos “Fazendas” e “Agroindústrias”.

Em “Fazendas”, a receita líquida trimestral registrou baixa de 3,2% na comparação anual, para R$ 137,1 milhões, ao passo que a margem bruta caiu 9,4 pontos percentuais, para 21%. “Mesmo em um ambiente mais restritivo”, realçou a empresa, o segmento apresentou aumento de 3,8% no número de clientes faturados nos nove primeiros meses de 2025 ante o mesmo período de 2024. Durante o terceiro trimestre, a empresa firmou contratos de novos projetos no total de R$ 94,4 milhões, com entregas e reconhecimento de receita previstos para os próximos trimestres.

Em “Agroindústrias”, a receita líquida alcançou R$ 108,7 milhões de julho a setembro, em queda de 30,6%, e a margem bruta encolheu de 25,1% para 23,2%. “Assim como o segmento de Fazendas, o resultado reflete a quebra de safra em regiões estratégicas, sobretudo no Sul, e a moderação dos investimentos diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador”, avaliou a Kepler. Nesse caso, a base de comparação pesou contra, uma vez que o terceiro trimestre de 2024 foi particularmente forte nessa frente, com grandes projetos em Mato Grosso, Paraná e Minas Gerais.

De acordo com a empresa, no terceiro trimestre foram firmados “projetos relevantes” nesse ramo no Paraná – principalmente com cooperativas -, em Goiás e em Mato Grosso do Sul, totalizando R$ 67,8 milhões. Vale lembrar que produtos lançados nos últimos cinco anos, como novos sistemas de secagem de grãos e correias transportadoras, têm sido fundamentais para o crescimento dos negócios da Kepler e hoje já representam 15% de seu faturamento. Há apenas alguns anos, esse percentual não superava 5%. Grande parte dos novos produtos lançados são desenvolvidos pela própria empresa.

No segmento “Negócios Internacionais”, a receita bruta cresceu 23,6% no terceiro trimestre, para R$ 63,3 milhões, mas a margem bruta recuou 17,8 pontos percentuais em relação a igual intervalo de 2024, para 20,4%. “Nos nove primeiros meses de 2025, a receita atingiu R$ 135,1 milhões, crescimento de 11,7%, impulsionada pelo avanço das vendas para Argentina, Paraguai e Bolívia, além da expansão para novos mercados, como Angola no Continente Africano”. 

De todos esses mercados, o argentino é o que mais tem se destacado, e a Kepler se prepara para avançar ainda mais no país vizinho. Atualmente, a maior parte dos projetos na Argentina envolvem arroz, mas a ideia é ganhar terreno também nas cadeias produtivas de soja e trigo. Mas foi na Venezuela que a empresa fechou recentemente o maior projeto internacional de sua trajetória, também na área de arroz.

No segmento “Portos e Terminais”, a receita líquida do terceiro trimestre quase dobrou ante o mesmo período de 2024 e atingiu R$ 34,3 milhões, e a margem bruta aumentou de 21,4% para 27,4%. E em “Reposição e Serviços” a receita cresceu 10,8%, para R$ 79,9 milhões, enquanto a margem bruta passou de 35,2% para 36,5%. “A incorporação da Procer, especializada em tecnologia e soluções de conectividade para o monitoramento remoto de sistemas de armazenagem, em março de 2023, elevou o padrão técnico do pós-venda e ampliou a cobertura regional”, destacou a Kepler.

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