Indústria brasileira de aves e suínos supera desafios e continua a crescer

Nem o primeiro caso de gripe aviária no país, já superado, evita o avanço generalizado do setor
Fernando Lopes

Não foi um ano sem sustos, mas a indústria de aves e suínos do país encerrará 2025, mais uma vez, com crescimento generalizado. E as perspectivas para 2026, também como de costume, são positivas, de acordo com projeções apresentadas nesta quarta-feira pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O grande “susto” deste ano foi a confirmação, em maio, de um caso de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial localizada no município gaúcho de Montenegro, o primeiro do Brasil. Embargos temporários às carnes de aves foram impostos por dezenas de importadores, mas o problema foi resolvido rapidamente, as travas foram retiradas e o fluxo está voltando ao normal. Assim, o segmento está fechando o ano com resultados positivos.

Segundo a ABPA, a produção nacional, beneficiada por custos mais baixos em função da queda dos preços dos grãos, alcançará até 15,3 milhões de toneladas, marca que representa um aumento de 2,2% em relação ao volume de 2024. Para as exportações, que vão superar as estimativas divulgadas logo após o caso de gripe, a previsão é de incremento de até 0,5%, para 5,32 milhões de toneladas, ou quase 40% dos embarques globais. A disponibilidade da proteína no mercado doméstico também deverá crescer – até 3,1%, para até 9,98 milhões de toneladas.

“Nem nos meus melhores sonhos eu esperava apresentar esses números positivos hoje”, afirmou Ricardo Santin, presidente da ABPA, em entrevista coletiva. Como concorrentes do Brasil no mercado internacional como União Europeia e Estados Unidos continuam com problemas na oferta, em boa medida por continuarem a conviver com a influenza, o cenário para 2026 sinaliza novos avanços.

Para a produção, a ABPA projeta alta de até 2%, para até 15,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações poderão aumentar até 3,4%, para até 5,5 milhões de toneladas. E Santin destacou que, se novos casos de influenza forem registrados, o país está melhor preparado para enfrentá-los do ponto de vista comercial, já que uma número maior de acordos com importadores para a regionalização dos eventuais embargos foi fechado nos últimos meses.

CARNE SUÍNA

Para a carne suína, os números da ABPA também são expressivos. A entidade projeta que a produção brasileira crescerá até 4,6% em 2025, para 5,55 milhões de toneladas, e mais até 2,7% no ano que vem (5,7 milhões). As exportações, por sua vez, deverão aumentar até 10% em 2025, para até 1,49 milhão de toneladas, e até 4% em 2026 (1,55 milhão). A disponibilidade interna da proteína está calculada em até 4,06 milhões de toneladas neste ano, o que significa uma alta de 2,7%.

Santin observou que, embora a China tenha reduzido suas importações, graças à recomposição de seu plantel depois da crise provocada pela Peste Suína Africana (PSA), a proliferação dessa doença na Tailândia gerou forte aumento da demanda do país do Sudeste Asiático, que passou a ser o principal destino dos embarques brasileiros.

“Um crescimento de dois dígitos nas exportações é algo muito importante, e isso com aumento da disponibilidade da proteína no mercado interno. Produzimos mais para exportar, o que reduziu o custo da unidade produzida e beneficiou o mercado doméstico”, realçou o executivo.

OVOS

Para os ovos, as perspectivas desenhadas pela ABPA são de crescimentos de até 7,9% da produção em 2025, para até 62,25 bilhões (1,8 mil por segundo), e de até 6,8% em 2026 (66,5 bilhões). No caso das exportações, os números indicam avanços de até 116,6% em 2025, para até 40 mil toneladas, e de até 12,5% em 2026 (45 mil).

Santin lembrou que as exportações mudaram de patamar e, pela primeira vez na história, representaram mais de 1% da produção. É verdade que o salto vinha sendo puxado pelos EUA e que o tarifaço imposto pela Casa Branca praticamente inviabilizou os embarques brasileiros, mas a indústria confia que, como já aconteceu com produtos como a carne bovina e café, a tarifa extra de 40% que entrou em vigor em agosto seja retirada também para os ovos.

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