A Coamo, maior cooperativa agrícola da América Latina, está ampliando sua estrutura de recebimento de grãos com a aquisição de quatro novos armazéns no norte do Paraná, por R$ 136 milhões. As unidades, localizadas nos municípios de Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso, pertenciam a um fundo imobiliário gerido pelo Pátria. Até recentemente, eram arrendadas pela empresa de insumos Belagrícola, com sede em Londrina, que está em recuperação extrajudicial.
Além de agregar cerca de 220 mil toneladas a uma rede que já tem capacidade estática total para mais de 6 milhões de toneladas, distribuída por 125 unidades de recebimento situadas em 80 municípios de Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, a nova tacada da Coamo, cuja sede é em Campo Mourão, no centro-oeste paranaense, marca a estreia da cooperativa nesse “norte mais antigo” do Estado, uma região que nas décadas de 1940 e 1950 ficou conhecida pela produção de café.
Sendo assim, contou Airton Galinari, presidente-executivo da Coamo, os trabalhos para a conquista de novos associados na região já tiveram início, tendo em vista que as instalações já estarão funcionando para o recebimento de soja e milho nesta safra 2025/26, que está em fase de colheita. “Nossa expectativa é atrair novos cooperados, como fizemos recentemente em nosso processo de expansão em Mato Grosso do Sul”, disse ele ao NPagro. Constituída no fim de 1970, a partir da união de 79 agricultores, a Coamo conta atualmente com mais de 32 mil cooperados.
A expansão da rede de armazéns e da fronteira de atuação acontece em um momento propício, já que tudo leva a crer que a Coamo terá a melhor safra de grãos de sua história – desde que, até domingo, chuvas mais regulares voltem a dar o ar da graça nas regiões de atuação da cooperativa. Se isso de fato acontecer, o grupo ficará os alicerces para mais um ano de resultados expressivos, como tem sido a regra. Segundo Galinari, a Coamo encerrou 2025 com faturamento relativamente estável, da ordem de R$ 28,5 bilhões – fruto, em grande medida, de maiores volumes de grãos movimentados, mas com preços mais baixos – e sobras totais de cerca de R$ 2 bilhões.
Os resultados definitivos da Coamo ainda têm de ser aprovados em assembleia de cooperados, mas o grupo já distribuiu aos associados R$ 200 milhões em sobras em dezembro, e mais de R$ 400 milhões ainda serão distribuídos. E isso após investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão no ano passado. Além de continuar ampliando sua presença geográfica, o grupo mantém aportes em uma nova fábrica de biodiesel em Paranaguá, orçada em R$ 450 milhões e em uma indústria de etanol de milho em Campo Mourão, que absorverá R$ 1,7 bilhão no total.
A planta de biodiesel deverá começar a rodar nos próximos meses, enquanto a inauguração da biorrefinaria de etanol de milho tende a acontecer entre o fim deste ano e o início de 2027. Além disso, renovou o contrato de arrendamento de seu terminal no porto de Paranaguá, no Paraná, e se prepara para construir um novo porto em Itapoã, no litoral norte de Santa Catarina, que em fase adiantada de obtenção de licenciamento ambiental e deverá absorver investimentos de R$ 3 bilhões no total.
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