Os preços dos fertilizantes aumentaram até 20% nos portos brasileiros em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pela StoneX. De acordo com a empresa de serviços financeiros, essa foi a variação observada nos casos do SSP (superfosfato simples) e do cloreto de potássio (KCl), enquanto a ureia ficou 10% mais cara na comparação.
Esse movimento de alta é global, e seus reflexos no Brasil, um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo, são praticamente imediatos. “Entre os fatores que sustentam esse patamar mais elevado de preços estão elementos sazonais, como a preparação para as aplicações agrícolas em diversos países, e fatores geopolíticos difíceis de antecipar, como a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã”, afirma Tomás Pernias, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, em nota.
O Oriente Médio é estratégico para a oferta de fertilizantes nitrogenados como a ureia, e qualquer recrudescimento da instabilidade na região poderá tornar ainda mais aguda a curva de alta desses produtos. Do ponto de vista sazonal, realça a StoneX, costuma haver forte pressão emanada dos Estados Unidos nos inícios de ano, por causa o aumento das importações do país para a temporada de Primavera
“A China também atravessa um período sensível no primeiro semestre. Apesar de ser grande produtora, o impacto sazonal sobre as importações é mais limitado, com exceção do KCl, cujas compras tendem a crescer nos primeiros meses do ano. O principal efeito chinês ocorre pelo lado das exportações. Em momentos estratégicos, as autoridades costumam restringir as vendas externas para priorizar o abastecimento interno”, destaca Pernías.
Ele também observa que outro fator relevante é a demanda da Índia. Caso o país anuncie um novo certame de compras de fertilizantes nas próximas semanas, essa demanda poderá coincidir com um período-chave para mercados como EUA, Canadá, China e Europa, reforçando o viés altista.
Assim, pondera a StoneX, os compradores brasileiros tendem a adotar uma postura mais cautelosa neste momento. “Os preços elevados, somados a relações de troca pouco atrativas – em alguns casos entre as piores dos últimos anos -, reduzem o estímulo para a antecipação das compras da próxima temporada”, diz Pernías.
Segundo dados compilados pela empresa, as importações brasileiras de fertilizantes somaram 45 milhões de toneladas no ano passado, quase 3% mais que em 2024 e um novo recorde histórico. Diante das restrições financeiras sobretudo na área de grãos no país em 2025, o aumento foi garantido pelo avanço das compras de produtos menos concentrados e, consequentemente, mais baratos.
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