Após iniciar suas operações no Brasil com resultados que superaram as expectativas, a americana GreenLight Biosciences, que atua no segmento de defensivos agrícolas biológicos baseados em RNA (ácido ribonucleico), aguarda aprovação para comercializar novos produtos no país e escalar suas vendas.
A meta da empresa é alcançar um faturamento global da ordem de US$ 100 milhões até 2028, concentrado nos mercados americano, latino-americano e europeu, e a ampliação do portfólio, com a diversificação de culturas protegidas, é fundamental nessa estratégia, tendo em vista a boa demanda pelos produtos já à venda.
Com o RNA, as soluções desenvolvidas pela GreenLight são capazes de silenciar genes específicos em insetos que se tornam pragas, patógenos ou ervas daninhas, sem alteração direta de DNA. Com isso, são consideradas mais sustentáveis e podem preservar insetos benéficos, como as abelhas, além de apresentarem degradação mais rápida que os defensivos convencionais, o que é positivo para o solo e para a água.
A companhia desembarcou no Brasil no fim de 2024, após um aporte de US$ 25 milhões realizado pela firma de investimentos Just Climate. Inicialmente, trouxe ao país 1 milhão de litros de seu defensivo destinado a maximizar o uso de inseticidas em lavouras de grãos e café, entre outras, um volume suficiente para cobrir 400 mil hectares. Logo ficou claro, porém, que o ritmo das vendas exigia mais.
Segundo Areadne Zorzetto, diretora comercial e de vendas da GreenLight para a América Latina, ao fim e ao cabo a empresa comercializou, em 2025, 5,2 milhões de litros do produto, que foi testado por produtores rurais em cerca de 300 áreas demonstrativas. “Nosso foco foi dar segurança aos agricultores. Com isso, pavimentamos a entrada no mercado dessa nova tecnologia. ”, disse ela ao NPagro.
Dado o sucesso de seu carro-chefe, que continua com vendas em alta, a companhia já submeteu dois novos produtos à aprovação do Ministério da Agricultura, e espera consolidar sua presença onde já está presente e ampliar o alcance para culturas como citros, uva, hortifrútis e algodão. Destas, o algodão talvez seja a de maior potencial, tendo em vista que suas áreas de cultivo são maiores.
Atualmente, afirmou Areadne, a GreenLight divide sua equipe de vendas no Brasil em sete regionais, cada uma delas com pelo menos seis profissionais. A empresa trabalha com vendas diretas a grandes produtores, como a Amaggi, e também por meio de parcerias com revendas de insumos, sobretudo regionais.
Para chegar aos US$ 100 milhões, a multinacional, cuja sede no Brasil é em Piracicaba (SP), conta também com os EUA, que lidera as vendas e onde novos produtos também têm sido lançados, Europa e outros países da América Latina, principalmente Argentina, Paraguai e Chile.
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