Coamo prevê safra recorde e acelera investimentos em novas indústrias

Resultados da maior cooperativa agrícola da América Latina em 2025 foram aprovados em assembleia; receita permaneceu estável em quase R$ 29 bilhões
Fernando Lopes
Assembleia de cooperados da Coamo em Campo Mourão (foto: Divulgação)

Quando conversou com o NPagro no último dia 27 de janeiro sobre a aquisição de quatro novos armazéns no norte do Paraná, o presidente da Coamo, Airton Galinari, estava particularmente atento ao que indicavam os radares meteorológicos. Desde o início do plantio da atual safra de grãos, são boas as perspectivas para a produção, mas o executivo sabia que o cenário só permaneceria positivo se chovesse até o dia 1º de fevereiro, um domingo, nas áreas de atuação da cooperativa. 

Pois choveu, e os volumes recorde de soja e milho que deverão ser recebidos e comercializados pelo grupo, embora ainda dependam do comportamento do clima até o fim das colheitas, novamente serão fundamentais para garantir bons resultados em 2026, quando investimentos robustos ganharão musculatura.

“Tudo indica que teremos a melhor safra da nossa história, mas com preços ainda baixos”, afirmou Galinari em entrevista nesta quinta-feira, após a aprovação dos resultados de 2025 da Coamo em assembleia de cooperados realizada na sede da gigante em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná. 

Também em um ambiente marcado pelo incremento dos volumes transacionados, mas com queda de preços, tanto a receita global quanto as sobras líquidas (lucros) da Coamo permaneceram estáveis no ano passado ante 2024 e alcançaram R$ 28,7 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente. Mas cresceram a distribuição das sobras, os investimentos e o patrimônio líquido.

“A comercialização da soja e do milho foram afetadas pelo excesso de estoques mundiais e retração nas compras pela China. Além disso, a política de taxas sobre importação dos Estados Unidos contribuiu para a instabilidade do mercado”, reforçou José Aroldo Gallassini, presidente do conselho da Coamo, em nota. 

Segundo os resultados aprovados, a cooperativa recebeu de seus 32,7 mil cooperados 9,6 milhões de toneladas de grãos em 118 unidades espalhadas por 76 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul em 2025, ante 8 milhões no ano anterior. As vendas no mercado doméstico aumentaram, e com isso as exportações recuaram de 4,3 milhões de toneladas (US$ 1,9 bilhão), em 2024, para 3,8 milhões de toneladas (US$ 1,5 bilhão) no ano passado.

Das sobras registradas, o montante distribuído agora aos cooperados aumentará para R$ 716 milhões no total, ante R$ 694 milhões em 2024. Além disso, a Coamo informou que devolveu mais de R$ 26 milhões de capital social aos cooperados com 65 anos ou mais e que completaram dez anos de permanência no grupo, R$ 14,5 milhões em ICMS e liberou R$ 66,3 milhões em crédito para a aquisição de insumos, máquinas e peças e produtos veterinários por meio do programa. 

E os investimentos também cresceram, de R$ 1,2 bilhão, em 2024, para quase R$ 2 bilhões em 2025, alocados sobretudo nos projetos de construção de uma usina de etanol de milho em Campo Mourão e de uma planta de biodiesel em Paranaguá, onde a Coamo também expandiu seu terminal portuário. Etanol de milho e biodiesel absorverão grande parte dos aportes de 2026, ano que começou com a aquisição dos quatro armazéns já citados, por R$ 136 milhões.  

Com 12 unidades industriais em operação (três unidades de esmagamento de soja, uma de margarina, uma de gorduras vegetais, duas plantas de refino e envase de óleos vegetais, dois moinhos de trigo, uma unidade de torrefação de moagem de café, uma fábrica de rações e uma fiação de algodão), que vêm recebendo aportes em expansão e modernização, o patrimônio líquido da Coamo, que é a maior cooperativa agrícola da América Latina, chegou a R$ 13,4 bilhões no ano passado, ante cerca de R$ 12 bilhões em 2024.

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