BrasilAgro fechou o 2º trimestre de seu atual exercício com lucro de R$ 2,5 milhões

No primeiro semestre, contudo, houve prejuízo líquido de R$ 61,8 milhões, influenciado pela piora dos resultados com a produção de cana
Fernando Lopes

A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra e venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o segundo trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com lucro líquido de R$ 2,511 milhões, ante prejuízo de R$ 19,625 milhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 77%, para R$ 6,995 milhões, e sua receita líquida total recuou 3%, para R$ 183,645 milhões.

Com isso, a companhia chegou ao fim do primeiro semestre deste exercício com prejuízo líquido de R$ 61,764 milhões, ante lucro de R$ 77,832 milhões entre julho e dezembro de 2024, Ebitda ajustado de R$ 71,345 milhões, em queda de 64%, e receita líquida total de R$ 470,288 milhões, 27% menor na comparação. Essa piora, como realçou Gustavo Lopez, CFO e diretor de Relações com Investidores da companhia, foi bastante influenciada por problemas climáticos que prejudicaram sua produção de cana nesta safra 2025/26, cuja colheita foi concluída em novembro nas unidades da companhia dedicadas à cultura, com 1,7 milhão de toneladas

“O desempenho ficou abaixo do esperado, principalmente em função da idade avançada do canavial, que potencializou os efeitos das temperaturas elevadas na fase de formação da cultura e do déficit hídrico ao longo do desenvolvimento. Adicionalmente, as geadas em Brotas (SP), a incidência de pragas no Mato Grosso e, em setembro, uma queimada que atingiu parte da Fazenda São José contribuíram para a redução da produtividade no período”, pontuou a empresa, em texto que acompanha os resultados divulgados nesta quinta-feira.

A cana tem grande reflexo nos resultados da BrasilAgro nos segundos trimestres de seus exercícios, mas esse peso normalmente é diluído nos terceiros e quartos trimestres, em detrimento dos grãos. E como as colheitas de soja e milho plantados nesta temporada 2025/26 são promissoras, a expectativa de Lopez é que os resultados melhorem. Se o clima continuar colaborando, a companhia espera colher 252 mil toneladas de soja, 17% mais que no ciclo 2024/25, 64,9 mil toneladas de milho verão (+43%) e 99,2 mil toneladas de milho safrinha (+39%). 

Para a soja a tendência é de queda de preços, mas para o milho o cenário é mais positivo, daí porque a área cultivada com o cereal avançou sobre a de algodão em relação ao ciclo anterior. “Teremos ganhos de volumes produzidos em 2026, inclusive no caso da cana, com uma área produtiva similar”, disse Ana Paula Ribeiro, head de RI, Comunicação e Mercado de Capitais da companhia.

A BrasilAgro não realizou negócios na área imobiliária no segundo trimestre do exercício, portanto a receita semestral nessa frente fechou o primeiro semestre em R$ 129,301 milhões, obtidos no primeiro trimestre. No total, o portfólio de propriedades da empresa chegou ao fim de dezembro com 253,8 mil hectares, divididos entre fazendas localizadas em seis Estados brasileiros, no Paraguai e na Bolívia. A área útil própria é de 119,1 mil hectares, enquanto a área útil arrendada pela companhia alcança 69,7 mil hectares.

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