A Kepler Weber, líder em equipamentos de armazenagem e soluções para pós-colheita de grãos na América Latina, encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 64,8 milhões, um aumento de 28,5% em relação a igual intervalo do ano anterior. Na mesma comparação, o lucro da companhia antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 17,7%, para R$ 67,5 milhões, e sua receita líquida diminuiu 13,3%, para R$ 398,7 milhões.
Embora o cenário operacional permeado por juros elevados, preços mais baixos dos grãos e restrições de crédito tenha perdurado entre outubro e dezembro, com reflexos negativo sobre Ebitda e receita, o lucro trimestral cresceu empurrado por ganhos de eficiência e com a contribuição de um crédito tributário não recorrente de R$ 11,4 milhões. Em todo o ano passado, o lucro líquido da Kepler Weber alcançou R$ 156,3 milhões, em queda de 21,5% ante 2024, ao passo que o Ebitda registrou baixa de 29,4%, para R$ 231,9 milhões, e a receita recuou 7,3%, para R$ 1,49 bilhão.
Diante da conjuntura adversa em boa parte das áreas de atuação da companhia, sobretudo nas vendas de equipamentos e soluções para produtores rurais, o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, considerou a performance de 2025 positiva. E os resultados foram garantidos pelo persistente déficit de armazenagem de grãos, pela continuidade da industrialização do agro brasileiro – com destaque para a construção de novas plantas de etanol produzido a partir de cereais – e pelo forte avanço dos negócios no front internacional, especialmente na Argentina. Segundo o executivo, a empresa deverá navegar ao sabor de uma combinação parecida em 2026.
Mesmo com as dificuldades no ambiente macro que apertaram a rentabilidade e a disponibilidade financeira dos produtores, o segmento “Fazendas” liderou a receita líquida da Kepler Weber no ano passado como um todo, com R$ 469,7 milhões, 9,7% menos que em 2024. A margem bruta anual encolheu de 28,7% para 20,8% nessa área, mas os negócios não pararam e contratos no valor de R$ 90,2 milhões firmados no quarto trimestre em diferentes regiões do país já movimentam as linhas de produção da empresa e reforçarão o faturamento neste e nos próximos trimestres.
O revés em “Fazendas” foi parcialmente compensado pelo segmento “Reposição e Serviços”, no qual a receita líquida anual cresceu 10,1%, para R$ 310,9 milhões, e a margem bruta permaneceu praticamente estável em 35,5%. Como é normal em um cenário de redução de investimentos dos produtores em projetos novos, o destaque da divisão foi um avanço de cerca de 20% nas linhas de reformas e ampliações, e esse mesmo comportamento deverá dar o tom também ao longo deste ano, mais um com juros elevados, commodities em baixa e restrições de crédito.
No segmento “Agroindústrias”, que envolve negócios com cerealistas, cooperativas e indústrias de transformação de grãos, a receita líquida atingiu R$ 405,2 milhões em 2025, em baixa de 17,8% em relação a 2024, e a margem bruta ficou em 19,2%, 7,4 pontos percentuais a menos em igual comparação. Ainda que usinas de etanol de cereais e esmagadoras de soja tenham gerado resultados positivos para a Kepler Weber, em áreas como a industrialização de arroz, por exemplo, a situação foi particularmente complicada em virtude de fortes quedas de preços no segundo semestre.
“Nesse contexto”, pontuou a companhia em texto que acompanha a divulgação dos resultados nesta quarta-feira, “a receita do segmento manteve perfil pulverizado, com participação relevante de cooperativas agroindustriais, tradings e clientes com atuação integrada em biocombustíveis, exportação e projetos de etanol de cereais, reforçando a diversidade da base de clientes e o posicionamento da Companhia em cadeias produtivas estratégicas do agronegócio”.
No segmento “Negócios Internacionais”, a Kepler Weber surfou a onda de crescimento da demanda na Argentina e viu a receita líquida anual aumentar 19,4%, para R$ 237,7 milhões. É verdade que a margem bruta recuou de 34,4% para 23,5%, mas houve uma mudança de patamar que deverá ser consolidada em 2026, desde que o cenário macro no país governado por Javier Milei e em outros mercados sul-americanos importantes para os negócios não se deteriore.
“Durante o quarto trimestre de 2025, a companhia firmou contratos relevantes no mercado internacional, totalizando aproximadamente R$ 20,1 milhões, impulsionados pela oferta de soluções completas para soja e milho em países como Paraguai, Argentina e Venezuela, além de equipamentos para beneficiamento de arroz em Equador e Colômbia. Esses contratos reforçam a presença global da Kepler Weber e ampliam a visibilidade do pipeline para os próximos períodos”, realçou a empresa.
No segmento “Portos e Terminais”, finalmente, a receita líquida da companhia somou R$ 66,9 milhões em 2025, 41% abaixo de 2024, e a margem bruta diminuiu 4,2 pontos percentuais, para 31,2%. “A companhia manteve a execução dos contratos em andamento, que totalizam aproximadamente R$52,5 milhões, e encerrou o quarto trimestre de 2025 com um pipeline consistente, refletindo a dinâmica própria dos contratos de longo prazo do segmento, com reconhecimento de receita distribuído ao longo das diferentes fases de execução”, observou a Kepler Weber.
Entre os indicadores financeiros, vale destacar, ainda, que as despesas com vendas aumentaram 5,4% em 2025, para R$ 106,6 milhões (7,2% da receita líquida), mas as despesas gerais e administrativas caíram 4,3%, para R$ 96,4 milhões. A companhia destinou R$ 71,2 milhões em capex em 2025, 50,5% mais que no ano anterior, e os investimentos para o desenvolvimento de novos produtos ganharam tração e representaram 21% do montante total, ante 11% em 2024, como destacou Renato Arroyo, diretor financeiro e RI da Kepler. O endividamento total da empresa fechou 2025 em R$ 315,2 milhões, ante R$ 307,1 milhões um ano antes, e a distribuição de dividendos chegou a R$ 145 milhões.
FUSÃO
Em tempo: A Kepler Weber deverá anunciar até sexta-feira se aceitará ou não a proposta que recebeu para uma eventual fusão com a GSI Brasil Indústria e Comércio de Equipamentos Agropecuários (GPT Brasil), controlada pela americana A-AG Topco Holdco (GPT). Com faturamento anual da ordem de US$ 1 bilhão, a GPT é uma fornecedora global de equipamentos para armazenagem de grãos e sementes e de sistemas de alimentação, ventilação e controle para a produção de proteínas, e conta com 14 unidades de produção na América do Norte, no Brasil, na Europa e na Malásia.
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