Parceria entre CCARBON, Petrobras e Shell quantificará estoques de carbono dos biomas brasileiros

Projeto contará com investimentos de R$ 100 milhões, viabilizados por regra estabelecida pela ANP
Fernando Lopes

Uma parceria entre a Petrobras, a Shell e o Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON), Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela Fapesp, está à frente do Carbon Countdown (Contagem Regressiva de Carbono), iniciativa que tem por objetivo quantificar os estoques de carbono de todos os biomas brasileiros.

Segundo a Fapesp, o projeto contará com investimentos de cerca de R$ 100 milhões, viabilizados pela Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determina que empresas petrolíferas que exploram campos com alto volume de produção invistam 1% de sua receita bruta em projetos de pesquisa, tecnologia e inovação do setor.

Participarão do trabalho pesquisadores vinculados a universidades e institutos de pesquisa, que nos próximos meses percorrerão Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa para coletar amostras de solo e vegetação de aproximadamente 6,5 mil locais. “A expectativa é gerar um banco de dados público para calibrar e criar a primeira linha de base de carbono no solo e na vegetação em todo o território nacional”, destaca a Fapesp, em nota.

“Além disso”, continua a Fapesp, “a iniciativa permitirá realizar avaliações mais precisas das perdas reais de carbono do solo decorrentes da conversão do uso da terra, bem como dos ganhos obtidos por meio de projetos de reflorestamento”. O Carbon Countdown vai operar com base em uma coordenação central ligada a hubs regionais, e terá apoio também de uma unidade da Embrapa.

Na primeira etapa do trabalho, os pesquisadores vão elaborar protocolos específicos para estabelecer a estratégia de trabalho em cada bioma. A coleta dos dados primários em campo será o cerne do projeto, e deverá resultar em 250 mil amostras de solo para quantificação do carbono e mais de 400 mil para determinar indicadores de densidade, textura e propriedades químicas. Dezenas de milhares de amostras da vegetação também deverão ser coletadas para determinação de biomassa, carbono e para a identificação das espécies.

“Após a coleta, as amostras de solo serão encaminhadas aos laboratórios regionais para serem processadas (moagem e secagem) e submetidas a um analisador elementar via combustão a seco para determinação do carbono, objeto central do projeto”, explica a Fapesp. No analisador, “as amostras de solo e de vegetação são incineradas em uma temperatura de mais de 1.000 °C. Nesse processo, todos os elementos orgânicos do material são transformados em CO2 e quantificados”.

É o cruzamento dessas medições com variáveis climáticas, de relevo e vegetação dos locais onde as amostras foram coletadas e do uso de sistemas de modelagem e técnicas de “machine learning” que torna viável estimar o estoque de carbono em áreas extensas, segundo padrão estabelecido pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

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