Após prejuízo no 4º trimestre, Boa Safra fechou 2025 com lucro líquido 37% menor

Resultado anual alcançou R$ 101,3 milhões; Ebitda ajustado recuou 16%, mas receita líquida cresceu 42%
Fernando Lopes

A Boa Safra, uma das maiores empresas de sementes do país, encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,4 milhões, ante lucro de R$ 80,3 milhões em igual intervalo do ano anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 55%, para R$ 58,5 milhões, e sua receita líquida aumentou 29%, para R$ 1,235 bilhões.

Segundo a empresa, os resultados foram influenciados por uma combinação entre maiores custos de grãos, incremento de despesas operacionais e financeiras e queda dos preços médios de vendas. Com isso, em todo o ano passado, a Boa Safra registrou lucro líquido de R$ 101,3 milhões, em queda de 37% em relação a 2024, Ebitda ajustado de R$ 154,1 milhões, com baixa de 16%, e receita líquida R$ 2,622 bilhões, 42% superior.

Líder em sementes de soja no país – área que concentra a maior parte dos negócios e na qual cresceu 34% em volume em 2025, com vendas de 215 mil big bags -, a empresa também vem ampliando sua participação em culturas como milho, trigo, sorgo e feijão, bem como em soluções voltadas à agricultura regenerativa. Conforme a Boa Safra, sua participação no mercado brasileiro de sementes em geral  chegou a 10% no ano passado.

De acordo com a companhia, a receita bruta obtida com a comercialização de sementes de soja avançou 42% em 2025 e alcançou R$ 2,027 bilhões, enquanto as vendas de novas culturas e serviços subiu 88%, para R$ 292 milhões. “Com esse avanço, essas culturas passaram a representar 13% da receita de sementes e novos negócios, sinalizando sua presença crescente dentro do portfólio ampliado da Boa Safra”, realçou a empresa.

O capex total da companhia em 2025 atingiu R$ 75 milhões, patamar bem mais baixo do observado em anos anteriores “e em linha com a estratégia de redução gradual dos investimentos adotada (…) O histórico recente evidencia a priorização da disciplina de capital e do foco na eficiência operacional”, observou a Boa Safra em texto que acompanha os resultados divulgados ontem. Do total, R$ 45 milhões foram destinados à infraestrutura operacional.

Ainda segundo a empresa, caixa e aplicações financeiras somavam R$ 1,1 bilhão no fim do ano passado. A dívida bruta consolidada atingiu R$ 1,3 bilhão, e a dívida líquida ficou em R$ 151 milhões no encerramento do exercício. “A composição ao final de 2025 indica uma estrutura de endividamento predominantemente de longo prazo, mais bem distribuída entre faixas de vencimento e alinhada ao ciclo operacional da empresa”. 

A Boa Safra informou, finalmente, que iniciou 2026 com 280 mil big bags de capacidade produtiva, “mantendo o foco em qualidade, e otimização da capacidade instalada versus a efetiva conversão em vendas. A diversificação do portfólio com a execução comercial num ambiente menos competitivo, aliado à nossa posição de caixa e liquidez amplia nossas vantagens competitivas para um ciclo mais benigno”, concluiu.

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