Após alcançar os melhores resultados de sua história em 2025, quando seu faturamento cresceu mais de 20% e chegou a R$ 660 milhões, o Moinho Globo, com sede em Sertanópolis (PR), está cauteloso em relação a 2026. Obstáculos e incertezas nos fronts doméstico e externo justificam a postura, mas a empresa continua a investir para ampliar produção e vendas, e projeta novo avanço este ano, mesmo que em ritmo menor.
Segundo maior moinho de trigo do Paraná, o Globo tem planos para construir uma nova unidade de produção no país, mas encontra nas elevadas taxas de juros em vigor um desestímulo importante para uma expansão de peso neste momento. Com isso, busca elevar a produtividade de sua fábrica em Sertanópolis com investimentos em automação, de forma a tirar o máximo possível de sua capacidade instalada.
A partir de aportes superiores a R$ 30 milhões, a companhia ampliou a capacidade da planta de 600 toneladas para mil toneladas por dia em 2024. Recentemente, com mais R$ 25 milhões, implementou um sistema robótico que automatiza o processo de envase e paletização das linhas de farinhas de trigo e pré-misturas de suas marcas – Globo e Famiglia Venturelli.
Segundo o moinho, a tecnologia, que já está rodando em diversas linhas, deverá permitir um ganho de produtividade de cerca de 30%, também por causa da maior disponibilidade de turnos de trabalho. Com o investimento, a unidade passa a operar de forma 100% automatizada em todas as etapas do processo de produção, da moagem à armazenagem dos produtos paletizados prontos.
“Não poderemos fugir da construção de um novo moinho, mas o momento não é propício, uma vez que as taxas de juros inviabilizam financiamentos. Daí o investimento em automação”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Moinho Globo, ao NPagro. Neta do fundador da companhia, Ciro Venturelli, Paloma assumiu o cargo em 2021. Paralelamente, também preside o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR).
Além da automação, o Globo decidiu reduzir a distância em relação a potenciais clientes em Estados onde não atua com a inauguração de um e-commerce, iniciativa pioneira entre os moinhos instalados no Brasil. Com a “Loja do Trigo”, recém-lançada, a companhia já iniciou vendas diretas a consumidores finais no Rio Grande do Sul, na Bahia e em Pernambuco, onde não estava presente.
“A ideia partiu de frustrações de clientes de algumas regiões que queriam adquirir nossos produtos e não encontravam. Não queremos competir com o varejo, que é nosso principal canal de vendas”, disse Paloma. Ela não espera que o e-commerce gere um “boom” de vendas, que tendem a continuar concentradas, no modelo tradicional, em Estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Um obstáculo enfrentado agora pelo e-commerce é a alta dos fretes, em virtude da escalada das tensões no Oriente Médio. E outro problema, esse geral, é a baixa qualidade da safra que acaba de ser colhida na Argentina, origem de grande parte do trigo usado pelos moinhos instalados no Brasil, o Globo entre eles. Nem o país nem o Paraná são autossuficientes em trigo.
MOATRIGO
O aumento da dependência de importações, a pressão global sobre commodities e elevação de custos com insumos e fretes estarão no foco do workshop Moatrigo, que será realizado pelo Sinditrigo-PR em Curitiba na próxima segunda-feira (13 de abril). “Cautela será a palavra de ordem. Diante dos desafios, é hora de olhar para dentro de casa, em busca de ganhos de produtividade e de redução de custos”, conclui Paloma Venturelli.
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