Volume das exportações brasileiras de carne bovina diminuiu quase 7% em março

Segundo a Abrafrigo, total alcançou 270,5 mil toneladas; preço médio das vendas subiu e receita cresceu 21,4%, para US$ 1,5 bilhão
Fernando Lopes
(Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

As exportações de carne bovina do país alcançaram 270,5 mil toneladas e renderam US$ 1,476 bilhão em março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Em relação ao mesmo mês de 2025, o volume caiu 6,7%, mas a receita foi 21,4% maior.

Diante dos resultados registrados no primeiro bimestre, quando o volume de embarques cresceu mais de 20% e a receita subiu quase 40%, houve desaceleração. Mas a entidade destaca que os preços médios das cargas vendidas subiram, em virtude da alta das cotações da arroba do boi no Brasil e da desvalorização do dólar. Os números incluem carne in natura, industrializada e subprodutos, e a carne in natura representa cerca de 90% do volume total.

“É importante considerar que o desempenho das exportações de carne bovina em 2026 parte de uma base de comparação elevada, considerando os sucessivos recordes mensais ocorridos em 2025, o que diminui expectativas de continuidade de um ritmo de crescimento mais robusto”, destacou a Abrafrigo, em nota. 

No primeiro trimestre, o volume dos embarques aumentou 11% em relação a igual intervalo de 2025, para 827,6 mil toneladas, e a receita cresceu 32,3%, para US$ 4,32 bilhões. Nessa comparação, o preço médio da toneladas de carne bovina in natura exportada subiu 14,6%, para US$ 5.642.

Segundo a Abrafrigo, a China continuou a ser o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina de janeiro a março, seguida por Estados Unidos e União Europeia. As compras totais chinesas atingiram 325,7 mil toneladas(+39,4%), ou US$ 1,816 bilhão (+41,8%). 

“É importante ressaltar que esse volume não reflete a quantidade considerada pelo governo chinês para efeito de contabilização da quota de 1,106 bilhão de toneladas (livres da tarifa extra quota de 55%), estabelecida em função da aplicação de medidas de salvaguardas pelo país asiático. Isso porque o governo chinês considera, no cálculo da quota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo que tenham sido embarcadas nos portos brasileiros no ano anterior”, esclareceu a Abrafrigo. 

A entidade explicou que, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Comércio do país asiático em março, as vendas de carne bovina do Brasil para a China alcançaram 372,08 mil toneladas nos dois primeiros meses do ano. Informações relativas a março de 2026 ainda não foram divulgadas pelo ministério. 

“Se for somado o volume embarcado no mês de março de 2026 [segundo a Secex], chega-se a um volume estimado de 474,08 mil toneladas embarcadas para a China no primeiro trimestre de 2026, que correspondem a 42,86% da quota tarifária destinada ao Brasil. Dessa forma, restaria ainda ao Brasil um volume de 631,92 mil toneladas (57% da quota), a ser exportado livre da tarifa de 55%. Mas essas estimativas podem ser alteradas em função de novas informações a serem divulgadas pelo ministério chinês, relativas às entradas nos portos chineses no mês de março”, afirmou a Abrafrigo.

 

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