A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no país, de 30% para 32%, deverá ampliar em cerca de 850 milhões de litros por ano as vendas do biocombustível, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira pela trading SCA Brasil Etanol. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento poderá chegar a 1 bilhão de litros anuais.
Conforme informações do Ministério de Minas e Energia (MME), a medida será apreciada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no início de maio. A tendência é a elevação ser aprovada, como forma de atenuar os reflexos da alta de preços do petróleo e derivados no mercado internacional em consequência da escalada dos conflitos no Oriente Médio. Em relação à mistura de 27%, calcula a Unica, o incremento da demanda alcança 2,4 bilhões de litros por ano.
“Há uma expectativa clara do setor em relação a essa definição, especialmente neste período de renovação dos contratos de etanol anidro. O E32 vem no timing correto, trazendo previsibilidade e ajudando a equilibrar oferta e demanda em uma safra que terá aumento de produção”, afirma Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA, em nota.
Ono observa, ainda, que o crescimento da demanda é fundamental para absorver o volume adicional estimado em mais de 4 bilhões de litros de etanol de cana e de milho que será produzido pelas usinas nesta safra 2026/27. E ele lembra que, com a mudança na relação de consumo que deverá ser promovida, o etanol hidratado (usado diretamente nos tanques) também ganhará competitividade ante a gasolina, ponto importante no caminho da descarbonização da economia.
“A iniciativa também se insere em um contexto mais amplo de aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à diversificação da matriz energética e ao aproveitamento de soluções já disponíveis em larga escala. Em paralelo, movimentos internacionais apontam na mesma direção. Discussões em curso na Comissão Europeia sobre a ampliação do teor de etanol na gasolina, como o E20 — que elevaria o limite atual de mistura no bloco — indicam uma convergência crescente em torno do uso de biocombustíveis”, destacou a Unica.
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