A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 87,3 milhões, em queda de 52,8% em relação a igual intervalo de 2025. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia subiu 16,2%, para R$ 1,118 bilhão, e sua receita líquida aumentou 19,8%, para R$ 13,409 bilhões.
Segundo Edison Ticle, CFO da Minerva, a queda do lucro foi determinada por um resultado financeiro negativo derivado do reflexo da apreciação do real ante o dólar em operações com derivativos. Já os avanços do Ebitda e da receita estão relacionados ao crescimento da empresa após a aquisição de plantas que eram da Marfrig, em tempos de demanda aquecida nos países em que a empresa atua e em seus maiores mercados de exportação.
Nos mercados internos onde atua, com destaque para Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Colômbia (a companhia também está presente no Chile e na Austrália), a receita bruta da Minerva alcançou R$ 6,548 bilhões no primeiro trimestre, em alta de 23,6% na comparação anual. Já a receita bruta obtida com exportações registrou incremento de 19,6%, para R$ 7,932 bilhões.
Com a mudança de patamar da Minerva depois da aquisição de ativos da Marfrig no Brasil, na Argentina e no Chile, a receita líquida e o Ebitda da empresa bateram recorde no período de 12 meses terminado em março. A receita anualizada cresceu 49,8%, para R$ 30,078 bilhões, ao passo que o Ebitda avançou 43,8%, para R$ 4,981 bilhões. Ticle também realçou que a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda), que havia subido com a aquisição, confirmou as previsões e caiu de 3,7 vezes, no fim de março de 2025, para 2,7 vezes no fim do primeiro trimestre deste ano.
Com a redução da oferta de gado no Brasil, principalmente, o abate total da Minerva diminuiu 5,3% na comparação entre os primeiros trimestres, para 1,354 milhão de cabeças. Mas o volume total de vendas da companhia aumentou 16,2%, para 481,7 mil toneladas, graças a estoques construídos no ano passado, durante o processo de ganhos de eficiência e escala das novas plantas adquiridas.
Esses ganhos, somados à alta da carne, também compensam a valorização da arroba do boi, que no Brasil está com cotações entre 10% e 15% mais elevadas que no mesmo período de 2025. Fernando Galletti de Queiroz, presidente da Minerva, destacou que, apesar das altas, a demanda no mercado brasileiro está aquecida e que o país ganhou força com destino das exportações das demais fronteiras sul-americanas em que a companhia atua.
Mas os destaques nas exportações no primeiro trimestre foram China e Estados Unidos, que continuam a absorver parcelas expressivas dos embarques de carne bovina da América do Sul como um todo, fortalecidos por problemas na oferta de concorrentes como os próprios EUA. As salvaguardas impostas pela China, que reservou uma cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa extra para o Brasil este ano, não preocupam a Minerva, que preveem compensar eventuais limitações com embarques a partir dos outros países em que atua.
DIVIDENDOS E BONDS
A Minerva lembrou, na divulgação de seus resultados, que aprovou no fim de abril a distribuição de R$ 30,8 milhões em dividendos complementares, depois da distribuição antecipada de R$ 162,1 milhões no fim de 2025. E pontuou que foram exercidos 240.795 bônus de subscrição no primeiro trimestre, perfazendo R$ 1,2 milhão.
“Vale destacar que ainda restam cerca de R$ 936,1 milhões relativos aos bônus de subscrição disponíveis no mercado. Desde o início de 2026, a companhia recomprou cerca de US$ 62,9 milhões relativos ao Bond 2031. Esses valores, em complemento ao resgate do Bond 2028, no valor de US$ 166 milhões, totalizam US$ 228,9 milhões, ou R$ 1,2 bilhão em recompras no acumulado do ano. A partir do início de 2025, já são cerca de US$ 613,7 milhões, representando aproximadamente R$ 3,4 bilhões em recompra de títulos no mercado internacional”, informou a empresa.
“A companhia segue ativa na gestão do seu passivo financeiro, em busca de uma estrutura de capital menos onerosa e mais eficiente. A recente emissão de US$ 600 milhões relativos ao Bond 2036, com uma demanda 2,5x superior a oferta, além de outras iniciativas no mercado de capitais local, confirmam esse movimento e contribuem para o alongamento do perfil da dívida”, concluiu.
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