As exportações de carne bovina do Brasil para a China somaram 461,2 mil toneladas de janeiro a abril deste ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O volume é 19,4% superior ao apurado em igual intervalo de 2025, e essa aceleração está ligada às salvaguardas impostas pelo país asiático a suas importações globais da proteína.
Para o Brasil, seu principal fornecedor, a China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional. Acima desse volume, a taxa cobrada é de 55%, o que praticamente inviabiliza os embarques. No primeiro quadrimestre, a receita das exportações brasileiras ao mercado chinês, seu maior destino, alcançou US$ 2,7 bilhões, com aumento de 42,9% ante o mesmo período de 2025.
A Abrafrigo estima que os exportadores brasileiros já tenham negociado com clientes chineses um volume equivalente a 70% da cota, levando-se em consideração também cargas não embarcadas. “Restariam, dessa forma, em torno de 330 mil toneladas a serem exportadas livres da tarifa extraquota de 55%, o que significa algo como pouco mais de dois meses de exportações brasileiras para a China”, informou a entidade, em nota.
O ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, desembarcou na China no domingo passado para participar da feira de alimentos Sial Xangai e para reuniões com autoridades daquele país, na esperança de conseguir alguma flexibilização das salvaguardas. Até agora, porém, não houve sinais de mudanças. Segundo a Abrafrigo, o cenário gera dúvidas e preocupações, dado o peso chinês nas exportações.
De janeiro a abril, os embarques de carne bovina do Brasil para todos os destinos totalizaram 1,146 milhão de toneladas, com incremento de 9% ante o mesmo período de 2025. Ou seja, a participação da China no volume total superou 40%. A receita total dessas vendas chegou a US$ 6,1 bilhão, 31% mais que no primeiro quadrimestre do ano passado, e a fatia chinesa foi ainda maior: 44,3%.
Segundo principal destino das exportações brasileiras, os Estados Unidos compraram 135,6 mil toneladas de janeiro a abril, com aumento de 14,2% em relação ao primeiro quadrimestre de 2025. Esses embarques renderam US$ 1 bilhão, em alta de 16,7% na comparação, conforme a Abrafrigo. Chile, Rússia e Europa completam a lista dos cinco maiores mercados para a carne brasileira no exterior.
Vale lembrar, ainda, que recentemente a UE informou que pretende barrar a carne bovina brasileira em suas fronteiras, a partir do início de setembro, sob a alegação de que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. O Ministério da Agricultura do Brasil tenta evitar essa barreira, que também ameaça a carne de frango e produtos como ovos, pescados e mel.
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