Estudo aponta que safrinha de milho tem reduzido sua pegada de carbono de uso da terra

Trabalho foi conduzido por pesquisadores da consultoria Agroicone, da Embrapa Meio Ambiente, da Epagri/SC, da Canopy e da Serasa Experian
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

Estudo conduzido por pesquisadores da consultoria Agroicone, da Embrapa Meio Ambiente, da Epagri/SC, da Canopy e da Serasa Experian demonstrou que o milho de segunda safra tem reduzido sua pegada de carbono de uso da terra no Brasil. Com cultivo crescente nas últimas décadas, a safrinha responde atualmente pela maior parte da produção de milho no país.

Segundo a Agroicone, o estudo refinou as estimativas da pegada de carbono relacionada à mudança direta do uso e cobertura da terra (indicador conhecido pela sigla em inglês dLUC) e ao manejo do solo associado ao milho de segunda safra, e trouxe conclusões sobre os impactos positivos em setores da economia como o de biocombustíveis.

A partir de imagens de satélite, os pesquisadores mapearam as áreas produtoras de milho de segunda safra em todo o Brasil, e também utilizaram dados da rede colaborativa MapBiomas para analisar o uso e cobertura da terra nessas áreas em cortes temporais de dez e 20 anos (2003-2013, 2013-2023, 2003-2023). Com isso, contabilizaram o balanço de carbono associado às mudanças de uso e cobertura da terra e à implementação de práticas de manejo do solo.

Segundo o mapeamento, a safrinha ocupou 17,1 milhões de hectares no país em 2023, 14,4 milhões a mais que 20 anos antes. Essa expansão ocorreu majoritariamente em terras já consolidadas para a agricultura, o que reduziu a necessidade de novas conversões de vegetação nativa ou de desmatamento.

“Combinando esse mapeamento com dados de estoque de carbono do método BRLUC2 [desenvolvido pela Embrapa], as emissões associadas à mudança direta do uso da terra (dLUC) foram estimadas entre 0,6 e 0,9 t CO₂ por hectare por ano. Esses valores ficam entre 40% e 57% abaixo das estimativas reportadas por metodologias nacionais, e entre 40% e 80% inferiores às referências internacionais – ambos os casos estimam um valor para o milho brasileiro, sem diferenciar sistemas de primeira e segunda safra”, informou a Agroicone.

Conforme os pesquisadores, também a adoção de práticas de manejo sustentável na safrinha permitiu um aumento do armazenamento de carbono no solo em relação ao sistema de safra única, compensando cerca de 20% das emissões geradas pela mudança do uso da terra.

O estudo demostra, por exemplo, “que as emissões líquidas do etanol, decorrentes da mudança de uso da terra e do manejo do solo associados ao milho de segunda safra, são entre 2,3 e 5,3 g CO₂ MJ⁻¹ para o período de 20 anos, e entre 0,8 e 1,5 g CO₂ MJ⁻¹, quando analisado o período mais recente”. E esses valores “são inferiores ao apresentado pela literatura, que calculam emissões de dLUC de até 30 g CO₂ MJ⁻¹ para o etanol de milho brasileiro. 

Ainda segundo o estudo, o crescimento da área plantada de milho no sistema de segunda safra entre 2003 e 2023 também levou a uma queda significativa de desmatamento ou de necessidade de ampliação de fronteiras agrícolas para o cultivo do cereal. “A comparação entre os períodos de 2013-2023, com o intervalo de dez anos anteriores, mostra uma redução de 73% nas emissões anuais líquidas de CO2 provenientes da mudança direta de uso da terra (dLUC) do milho”, destaca.

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