Acordo põe fim à disputa por terras do Grupo Radar em Mato Grosso

SLC vai adquirir 8,9 mil agricultáveis do chamado “Bloco Mato Grosso”; Bom Futuro e outro produtor dividirão outra parte
Fernando Lopes

A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e algodão do país, informou que chegou a um acordo para adquirir 8,9 mil hectares agricultáveis do Grupo Radar em Mato Grosso, incluindo silos, uma unidade de beneficiamento de algodão e outras benfeitorias operacionais. O negócio foi fechado por R$ 669 milhões.

O anúncio põe fim a uma curta disputa entre a SLC, o Grupo Bom Futuro e outro grande produtor rural em torno de uma área de 41,2 mil hectares (28,8 mil hectares agricultáveis) do Radar (que tem entre seus acionistas a Cosan) denominada “Bloco Mato Grosso”. Os três players arrendam partes da área em questão e exerceram seus direitos de preferência para a aquisição o que forçou a divisão.

No mês passado, tanto SLC quanto o Grupo Bom Futuro, controlado pelo mega produtor Eraí Maggi, informaram publicamente que iriam exercer seus direitos para comprar todo o bloco, por R$ 1,85 bilhão. A rusga inicial não durou muito, e as partes, incluindo o produtor Alexandre Jacques Bottan, chegaram à conclusão que eram melhor uma solução consensual..

Em razão do exercício concorrente do direito de preferência por outros arrendatários do referido portfólio, foi iniciado um processo de negociação entre as partes envolvidas, culminando em uma solução convergente”, confirmou a SLC. 

Do valor total a ser pago pelos 8,9 mil hectares agricultáveis que serão incluídos em seu portfólio de terras próprias, a SLC pagará R$ 255,2 milhões na assinatura do acordo e R$ 413,9 milhões até o dia 30 de outubro. A transação depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).  

Considerando que o valor total da transação foi de R$ 669.040.691,64 e nesse montante está incluso a infraestrutura com valor estimado de R$ 29,7 milhões, o valor total da terra nua útil/agricultável é de R$ 639.322.975,28 representando aproximadamente o valor de R$ 72 mil por hectare agricultável”, realçou a SLC.

A companhia informou que já opera na área adquirida por com produção de soja, milho e algodão, no sistema de rotação de culturas, e com segunda safra, por meio de contrato de arrendamento em 17,6 mil hectares. 

“Dessa forma, 8,7 mil hectares continuarão arrendados (5,3 mil hectares até a safra 2029/30, 0,9 mil hectares até a safra 2026/27 e 2,5 mil hectares foram recontratados com a nova proprietária, Santa Maria Holding Ltda., a partir do vencimento do contrato vigente no final da safra 2026/27, por mais 15 anos, com um custo de 19,5 sacos por hectare)”, concluiu a SLC.

 

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