Receita das exportações de suco de laranja caiu 30% na safra 2025/26

Segundo a CitrusBR, valor alcançou US$ 2,38 bilhões; volume embarcado cresceu 0,2%, mas preços registraram forte queda
Fernando Lopes

As exportações brasileiras de suco de laranja alcançaram 746,9 mil toneladas equivalentes ao produto concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) e renderam US$ 2,38 bilhões na safra 2025/26, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela CitrusBR, entidade que representa as gigantes do segmento Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company. Em relação ao ciclo 2024/25, o volume cresceu 0,2% e a receita foi 30% menor.

O volume dos embarques permaneceu relativamente estável apesar da queda da demanda global, provocada pelo forte aumento das cotações nas temporadas anteriores decorrente da redução da oferta, sobretudo no Brasil, que responde por mais de 70% das exportações mundiais, e nos Estados Unidos. Com os altos preços, observou Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, muitos consumidores passaram a optar por alternativas mais baratas, como refrescos e néctares. 

Além disso, realçou o executivo, a demanda também foi prejudicado por problemas com a qualidade do suco, derivadas de problemas climáticos e da doença conhecida como greening, e a combinação pressionou o mercado e terminou por determinar o tombo dos preços e a expressiva retração do valor das exportações na safra 2025/26, que chegou ao fim no último mês de junho.

Para a Europa, tradicional destino do suco de laranja brasileiro no exterior, o volume vendido caiu 10,9% em 2025/26, para 376,5 mil toneladas, e a receita recuou 38%, para 1,11 bilhão. Com isso, informou a CitrusBR, a participação da região no volume total diminuiu de 50% para 45%, abrindo espaço para o avanço das compras dos EUA, onde a oferta continua particularmente restrita, e de outros países.

O resultado desses movimentos é que a fatia dos EUA no volume de suco de laranja exportado pelo Brasil cresceu de 40%, em 2024/25, para quase 48% em 2025/26, e o país se tornou o principal mercado do produto. As importações americanas atingiram 355,8 mil toneladas no ciclo recém-encerrado, em alta de 16,3%, mas com a queda dos preços o valor das compras foi 20,6% inferior (US$ 1,08 bilhão).

O volume das exportações para a China, por sua vez, subiu 26% em igual comparação, para 25,5 mil toneladas, e a receita dessas vendas subiu 1%, para US$ 70,3 milhões. Já para o Japão os embarques caíram em volume (28,6%, para US$ 14,3 mil toneladas) e em valor (45,9%, para US$ 58,9 milhões), também resultado da combinação entre menor volume e forte desconto nos preços praticados naquele mercado.

 

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