Conab eleva estimativa para a colheita recorde de grãos para 360 milhões de toneladas

Se confirmado, volume será 2,2% superior ao registrado na safra 2024/25; porém, forte queda da produção de trigo gera preocupação
Fernando Lopes
(foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar)

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 360,1 milhões de toneladas sua previsão para a produção de grãos no Brasil nesta temporada 2025/26, que está em fase de colheita das segundas safras e semeadura das culturas de inverno. O volume, que representa um novo recorde, é 1,5 milhão de toneladas superior ao estimado em boletim divulgado pela estatal em junho e, se confirmado, representará um incremento de 2,2% em relação ao registrado no ciclo 2025/26 (352,3 milhões de toneladas).

O ajuste para cima foi praticamente todo motivado pela melhora do cenário para a segunda safra de milho. A Conab passou a projetar a colheita da safrinha em 109,4 milhões de toneladas, ainda em queda de 3,4% na comparação com 2024/25, e com isso agora calcula a produção total de milho em 141,7 milhões de toneladas, em baixa de apenas 0,4% ante o ciclo anterior. Para a soja, carro-chefe do agro brasileiro, a estatal estima que a colheita, já concluída, alcançou 180,6 milhões de toneladas, 5,3% mais que no ciclo anterior e melhor marca da história.

Para os básicos arroz e feijão, a Conab fez ajustes apenas pontuais. Segundo a companhia, a colheita de arroz, concluída nas principais regiões produtoras, somou 11,1 milhões de toneladas, em queda de 13,1%, enquanto a de feijão tende a somar 3 milhões de toneladas, com retração de 1,4%. Também para o algodão em pluma a previsão é de queda, mas leve – 0,5%, para 4,1 milhões de toneladas. No caso do trigo, cujo plantio ainda está em andamento, o cenário traçado pela estatal aponta para 6 milhões de toneladas, com forte redução de 23,5%.

Com esse tombo, as importações de trigo deverão superar a produção doméstica e chegar a 6,9 milhões de toneladas. Mesmo assim, contudo, a expectativa é de queda de estoques e pouca fola entre oferta e demanda. “Esse quadro reforça a perspectiva de maior dependência de importações e pode manter sustentação aos preços internos ao longo da entressafra, especialmente se houver problemas de qualidade, câmbio mais pressionado ou dificuldade de recomposição dos estoques pela indústria”, realça a Conab.

IBGE

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também atualizou nesta terça-feira suas estimativas para a colheita de grãos no país este ano, o volume total atingirá 347,4 milhões de toneladas, 0,8% menos que o previsto no mês passado mas ainda com crescimento de 1,3 milhão de toneladas ante 2025.

No quadro do IBGE, soja, milho e arroz vão representar 92,8% da produção total, e a região Centro-Oeste liderará a colheita, com participação de 49,6%, seguida pelo Sul (26,5%). Pelo menos por enquanto, o órgão calcula uma produção de trigo maior que a prevista pela Conab, da ordem de 6,6 milhões de toneladas.

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