Elevação da mistura de etanol na gasolina compensa parte do aumento da oferta do biocombustível

Segundo projeções da Unica, E32, que entrará em vigor em agosto, elevará a demanda em cerca de 1 bilhão de litros por ano
Fernando Lopes

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no país, de 30% para 32% (E32), poderá elevar a demanda doméstica pelo biocombustível em cerca de 500 milhões de litros até o fim desta safra 2026/27, em março do ano que vem. A projeção foi atualizada esta semana pela SCA Trading, comandada por Martinho Ono, logo após a medida ter sido aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Na avaliação da empresa, esse incremento do consumo vai ajudar a escoar parte do crescimento da produção doméstica de etanol neste ciclo, mas não será capaz, sozinho, de promover um maior equilíbrio desse mercado, tendo em vista a expectativa de aumento de 4 bilhões de litros da oferta, também empurrado pela crescente fabricação do biocombustível feito do milho. Nas análises divulgadas pela trading, esse equilíbrio dependerá também de exportações, importações e das vendas de etanol hidratado.

Em cenário traçado antes da confirmação da elevação da mistura, que entrará em vigor em 1º de agosto, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Biocombustíveis (Unica) estimou que a demanda adicional criada pela medida chegaria a 1 bilhão de litros por ano. Nesse contexto, existe ainda a perspectiva de que o etanol hidratado ganhe competitividade em relação à gasolina, mesmo com a provável queda das importações do combustível fóssil, e que essa relação também ajude a enxugar a oferta do bicombustível.

Segundo a Unica, as vendas de etanol pela usinas localizadas no Centro-Sul do Brasial alcançaram 2,9 bilhões de litros em maio. O volume de etanol anidro comercializado no mercado doméstico alcançou 1,1 bilhão de litros, enquanto as vendas de hidratado totalizaram 1,8 bilhão de litros. Do início da safra, em abril, até 1º de junho, as vendas de anidro e hidratado somaram 5,7 bilhões de litros (3,6 bilhões de litros de hidratado e 2,1 bilhões de litros de anidro).

Exportação de soja e derivados deverá crescer US$ 8,2 bi em 2026, prevê indústria

Segundo estimativas divulgadas pela Abiove, valor dos embarques tende a superar US$ 61 bilhões

Nova cota dos EUA para carne bovina brasileira alivia reflexos negativos de salvaguarda chinesa e trava da UE

Cota de 1,1 milhão de toneladas livre de tarifa adicional de 55% estabelecida por Pequim para o Brasil em 2026 já foi preenchida

Coamo amplia investimentos em operações industriais e verticalização de processos

Cooperativa com sede em Campo Mourão (PR) planeja aporte de R$ 500 milhões para dobrar fábrica de óleo de soja em Paranaguá

NPagro Clima: NOAA confirma ocorrência do “Super” El Niño

Amanda Balbino, da Ampere Meteorologia, analisa origens e reflexos do fenômeno

Resenha NPagro: A nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental na berlinda

Inscreva-se para receber
as notícias gratuitamente

Ao inserir seu e-mail, você concorda em receber a newsletter do NPAgro. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento

MAIS LIDAS

ESG

Pecuária sustentável: O “green lot” da família Costabeber em São Sepé

Modelo de produção da Fazenda Pulquéria, importante fornecedora da Minerva no Rio Grande do Sul, privilegia bem-estar dos animais e rende bons preços

Economia

Ministério da Fazenda suspende financiamentos do Plano Safra 2024/25

Secretaria do Tesouro enviou ofício às instituições financeiras determinando a suspensão de novas contratações de crédito rural subvencionado

Produção

IBGE confirma abate recorde de 16,9 milhões de fêmeas em 2024

Volume histórico representou 43% de todo abate da pecuária bovina no ano passado e um crescimento de 19% em comparação aos dados de 2023