Indústria brasileira de aves e suínos projeta crescimento em 2026 e 2027

Segundo a ABPA, custos estáveis e demanda firme colaboram para o crescimento de produção, consumo interno e exportação das proteínas
Fernando Lopes
Ricardo Santin, presidente da ABPA

Mesmo em meio a turbulências nos fronts doméstico e externo, a indústria de aves e suínos do país prevê que vai continuar a crescer em 2026 e 2027. Segundo projeções divulgadas nesta terça-feira pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), são positivas as perspectivas para produção e exportação de carnes de frango e suína, sustentadas sobretudo por câmbio competitivo, custos relativamente estáveis e demanda firme.

CARNE DE FRANGO

De acordo com a ABPA, a produção nacional de carne de frango deverá aumentar para entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas este ano, até 5,6% mais que em 2025, e para até 16,6 milhões de toneladas em 2027, o que representa uma nova alta de até 2,8%. Para a exportação, a estimativa é de avanços de até 10,3% em 2026, para até 5,875 milhões de toneladas, e de até 3% no ano que vem, para até 6,05 milhões de toneladas.

Embora a tendência para o consumo doméstico seja de crescimento, o ritmo dependerá, em boa medida, do endividamento das famílias, que está em níveis elevados e atualmente enfrenta também a pressão dos recursos comprometidos com apostas, como realçou Ricardo Santin, presidente da ABPA, em conversa com jornalistas. Em contrapartida, a menor disponibilidade de carne bovina no mercado estimula a demanda pelo frango.

No caso das exportações, a situação sanitária no Brasil, que até agora só registrou um foco de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial, já totalmente superado, continua a ser um trunfo, tendo em vista os problemas causados pela doença em concorrentes como União Europeia e Estados Unidos, por exemplo. 

Resta saber, ainda, qual será a duração da guerra no Oriente Médio, que alimenta incertezas, e quanto tempo vai demorar a barreira a ser imposta pela UE à proteína brasileira a partir de setembro, em virtude de inconformidades em relação ao uso de antimicrobianos. A expectativa de fontes do ramo é que o embargo dure apenas alguns meses, uma vez que o governo já ajustou os procedimentos para esses medicamentos e o ciclo de produção de frango é curto.

Conforme Santin, o dólar estável em relação ao real num patamar remunerador e a boa oferta de milho e farelo de soja a preços comportados são outras vantagens brasileiras no momento, além dos esforços do governo e das empresas do segmento em manter a influenza distante das granjas comerciais.

CARNE SUÍNA

Para a carne suína, a ABPA prevê aumento de até 5% da produção em 2026, para até 5,870 milhões de toneladas, e de até 3,1% em 2027, para até 6,05 milhões. A entidade também projeta altas de até 5,9% das exportações este ano, para até 1,6 milhão de toneladas, e de até 6,3% no próximo, para até 1,7 milhão de toneladas. O consumo doméstico, que poderá atingir 20 quilos per capita em 2026, também segue em expansão.

Santin observou que, apesar da retração das exportações à China, que curou as feridas à produção local provocadas pela Peste Suína Africana, problemas em países como as Filipinas, hoje o principal destino dos embarques do Brasil, mantêm os embarques aquecidos. Aqui, também pesa favoravelmente o fato de a China ter reconhecido o Brasil como país livre de aftosa sem vacinação, o que abre o mercado do país asiático para miúdos externos e carnes com osso. 

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